A polêmica da devolução do terreno da Super Delegacia de Blumenau

No ano de 2021 o então deputado estadual Ismael dos Santos (PSD), hoje deputado federal, apresentou para o delegado regional de Blumenau da época, Rodrigo Masrchetti, o projeto para a construção de uma Super Delegacia na cidade e até havia conseguido R$ 9 milhões do Governo do Estado, através do Plano 1000, para a construção do prédio, mas essa verba acabou sendo vetada no fim do mandato de Moisés por recomendação do Tribunal de contas de SC.

No fim do mesmo ano a Câmara de Vereadores aprovou a doação, por parte da Prefeitura Municipal, de um terreno no bairro Fortaleza para que a obra acontecesse, mas teria que estar de pé até o fim de 2024, caso contrário o terreno voltaria para as mãos do município.

Mas no dia 14 de abril último o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, enviou ofício para o prefeito Mário Hildebrandt (Podemos) devolvendo o terreno. A delegada regional, Juliana Tridapalli, ficou sabendo de tudo isso somente na segunda-feira, 24, e lamentou porque seria a oportunidade de dar melhores condições de trabalhos aos policiais e acabaria reduzindo o valor gasto com aluguéis.

No novo prédio iriam funcionar como a Central Regional de Plantão Policial, a Delegacia da Região Norte e Delegacias Especializadas, como a DIC, IGP, Delegacia da Mulher e 1° Delegacia de Polícia.

O delegado Ulisses disse que devolveu o terreno porque dependeria de uma contrapartida financeira do Estado no valor de R$ 10,5 milhões e esse valor não está na previsão de gastos do Governo de Jorginho Mello. Outro ponto colocado por ele é o valor de manutenção de uma estrutura como essa. Ele enfatiza que o governo de Carlos Moisés não fez as manutenções nos prédios existentes e isso terá que ser feito em várias delegacias do estado.

E COMO FICA A PARTE POLÍTICA?

Segundo o deputado Ismael dos Santos, ” foram quatro anos de trabalho para a construção do centro de segurança e com a devolução do terreno, fica concretizado que o governo não tem compromisso com este equipamento necessário para todos os municípios da região”.

Essa é apenas uma das declarações de descontentamento com a atitude do delegado, mas também pode impactar nas eleições de 2024. Essa era uma das grandes obras que a classe política esperava inaugurar em 2024.

As outras eram o Centro de Convenções da cidade e também a aquisição do Sesi, coisas que estão pendentes por falta de repasses do Governo do Estado que estavam previstas através do Plano 1000 de Carlos Moisés.

Ismael quer aumentar o número de representantes do PSD na Câmara de Vereadores, principalmente através de membros da sua igreja. Mário Hildebrandt queria as obras para fortalecer o nome de Maria Regina Soar (PSDB), o que ajudaria muito na candidatura dela a prefeita.

Já o governador Jorginho Mello (PL) pode usar esses contratos para atrair o PSD de Ismael em favor da candidatura de João Paulo Kleinübing, que hoje é o presidente do BRDE, mas que em 2024 será o candidato do governador a Prefeitura de Blumenau.

O maior receio de Maria Regina e João Paulo hoje nas eleições do ano que vem é a candidatura do promotor público Odair Tramontin, que deve ser o candidato do Novo em 2024.

Ele teve ótimo desempenho em 2020 como um novato em eleições e hoje é muito mais conhecido do que era no pleito municipal anterior.

Como o governador Jorginho quer ter o controle político em todas as regiões do Estado para garantir a sua reeleição em 2026, ele vai usar também essas obras de Carlos Moisés para eleger os seus em 2024, tentando fazer com que o PL se torne o maior partido de Santa Catarina.

Segundo o senador Jorge Seif, o PL catarinense pretende eleger 100 prefeitos e outros vice prefeitos estado afora, passando os números do MDB, que hoje tem 96 prefeitos do partido.

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