No início da tarde dessa terça-feira, 9, a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Assembleia de Santa Catarina se reuniu para, entre outras propostas, analisar o Artigo 18 da Reforma Administrativa que trata do aumento da verba indenizatória para os Policiais Militares que trabalham na Casa Militar, que é a estrutura que presta serviço para o governador Jorginho Mello (PL).
Segundo a proposta, que é assinada pelo governador e pelo Chefe da Casa Civil, Estener Soratto (PL), há uma defasagem na remuneração desses profissionais comparado com outros poderes, como o Tribunal de Justiça, Ministério Público, Alesc e Tribunal de Contas.
O Governo do Estado disse que a patente mais alta que está lotada na Casa militar é de tenente-coronel, e o salário bruto desse militar passaria de R$ 29.615,00 para pouco mais de R$ 44 mil, ultrapassando o teto do funcionalismo público que é hoje de R$ 32.239,32.
De acordo com o parecer do relator, deputado estadual Matheus Cadorin (Novo), a matéria deveria ser retirada da Reforma Administrativa, pois o reajuste é cinco vezes maior do atual, o que destoa do discurso da Secretaria da Fazenda, que diz não ter dinheiro para investimentos no Estado.
O presidente dessa comissão, deputado Ivan Naatz (PL), e o líder do Governo, deputado Edilson Massocco (PL), foram os únicos que votaram pela manutenção do aumento, pois os deputados Matheus Cadorin (Novo), Antídio Lunelli (MDB), Mário Motta (PSD), Luciane Carminatti (PT) e Volvei Weber (MDB) rejeitaram o aumento.
Weber disse na sua fala que entende a preocupação do governo em melhorar a remuneração do funcionalismo, mas citou as obras do Plano 1000 que tiveram a transferência de dinheiro cancelada para justificar o voto.
PANO DE FUNDO
Essa derrota apenas ratifica que o Governo do Estado terá que trabalhar muito na Alesc para conseguir aprovar suas propostas. Na semana passada o governador Jorginho Mello convidou os 40 deputados estaduais para um café na Casa D´Agronômica para apresentar os detalhes da proposta da Universidade Gratuíta, mas apenas 20 compareceram.
Num evento em Criciúma no fim de semana, Jorginho deu uma alfinetada nos deputados estaduais que não foram no evento dizendo que “eles tinham que vazar pra fazer campanha”, deixando entender que eles estavam mais preocupados com seus mandatos do que com a educação do Estado.
Obviamente que tal declaração não caiu bem na Alesc somada com a demora da liberação dos valores do Plano 1000 para as Prefeituras, base de apoio dos deputados estaduais, acaba colocando o Governo de SC numa situação desconfortável.
Desde a escolha do presidente da Casa, vencida pelo deputado Mauro de Nadal (MDB), a bancada governista e o próprio governo tem trocado os pés pelas mãos quando se trata de entendimento com os parlamentares dos outros partidos que não o PL e PP.
E essa dificuldade poderá ser sentida nas próximas votações, como a da Reforma Administrativa e Faculdade Gratuita, pois a maioria do parlamento está com um pé atrás quando se trata do governo de Santa Catarina.
Eles querem mesmo é ver as obras acontecendo nos municípios ao invés de ficarem aprovando proposta do Governo que vai beneficiar apenas Jorginho Mello.





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