Um Deputado Estadual contra 15 vereadores da cidade de Blumenau

No dia 8 de maio, o deputado estadual Ivan Naatz (PL) protocolou na Câmara de Vereadores de Blumenau um documento que pedia a abertura de uma CPI para investigar a compra de um terreno, no centro da cidade, que vai abrigar a nova sede do legislativo do município.

Naatz alega que a empresa que vendeu o terreno, que é a mesma que desde 2012 aluga o prédio da atual sede do legislativo, teve informações privilegiada para comprar e depois vender o terreno para a Prefeitura de Blumenau e que o lucro dessa empresa, segundo o deputado, foi exorbitante.

Na tarde de terça-feira, a Procuradoria-Geral da Câmara de Blumenau deu um parecer pra o arquivamento do pedido de CPI por não encontrar elementos na denúncia que provem tais acusações.

Depois do arquivamento do pedido na Câmara, o deputado estadual ajuizou uma ação popular na Vara da Fazenda para que o Poder Judiciário analise os documentos protocolados para ver se realmente há alguma irregularidade.

A POLÍTICA COMO ELA É

É obvio que toda essa movimentação faz parte de uma estratégia política não só contra os vereadores mais antigos, mas principalmente contra o prefeito Mário Hildebrandt (Podemos).

Almir Vieira (PP), presidente da Câmara, disse não saber qual o interesse do deputado nisso. Já o vereador Jovino Cardoso (Solidariedade), líder do governo, disse na sessão de quinta-feira, 18, que algumas pessoas são oportunistas e oportunistas com maldade.

“Eu quero que alguns dos nossos representantes estaduais traga as suas diárias, os seus consumos lá na Alesc. E olha que não são poucos, mas como eu não devo nada a alguns… quem sabe poderão responder judicialmente lá na frente”, enfatizou Jovino.

O ponto central dessa guerra fria é o afastamento de Naatz da atual administração de Blumenau, pois até o fim de 2022, ele era um parceiro de Mário Hildebrandt, mesmo o prefeito sendo próximo de Carlos Moisés (Republicanos).

Naatz disse que já esperava essa resposta da Câmara de Blumenau, pois “a Câmara de Vereadores de Blumenau não tem o histórico de fazer qualquer tipo de investigação. Não investigou o contrato firmado com a Foz do Brasil/Odebrecht, não investigou o contrato firmado com a Piracicabana, não investigou as horas extras pagas em número exagerado lá no Samae, portanto a Câmara de Blumenau nunca investigou nada”.

Essa afirmação me fez fazer uma viagem ao passado desde o tempo em que Naatz era vereador, lá em 2012. No início daquela legislatura ele acabou sendo o líder do governo do prefeito de Napoleão Bernardes, mas mais tarde rompe com a administração e tenta instalar uma CPI para investigar o contrato com a nova empresa do transporte público de Blumenau.

Coincidentemente, o presidente do legislativo na época era Mário Hildebrandt que acabou impedindo o andamento desse pedido. Mário virou prefeito e Naatz se aproximou novamente dele, principalmente na eleição de 2020, quando passou a atacar o ex-prefeito João Paulo Kleinubing com o caso do Tapete Negro.

Mas hoje João Paulo faz parte do mesmo governo que Naatz defende e Napoleão é seu parceiro de bancada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Kleinubing, inclusive, deve ser o candidato a prefeito do PL em 2024 com grandes possibilidades de ter também o apoio de Napoleão.

Então só nos resta saber quais vereadores estarão nesse mesmo barco em 2024 e como será a tratativa para todos lutarem pelo mesmo objetivo. Certo mesmo é que Naatz vai continuar atirando para todos os lados, mirando no que vê, mas atingindo quem não poderia.

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