A Operação Mensageiro foi deflagrada no dia 6 de dezembro de 2022 com o objetivo de investigar supostos pagamentos de propina em contratos de coleta de lixo e já resultou na prisão de 16 prefeitos, 1 vice-prefeito, vereadores e secretários de municípios de Santa Catarina.
Depois dos contratos de coleta e armazenamento de lixo, os agentes já investigam também os contratos que a empresa tem com Prefeituras na área de iluminação pública e água e esgoto.
No último mês de abril a Serrana Engenharia mudou a razão social e passou a se chamar Versa Engenharia Ambiental. O fato curioso é que no mesmo mês ela já venceu uma licitação para a coleta de lixo na cidade de Bela Vista do Toldo.
Marlon Neuber (PL), prefeito de Itapoá preso na primeira fase dessa operação, em dezembro de 2022, deu um depoimento na terça-feira, 30, no Fórum de Joinville, onde disse que realmente recebeu propina da empresa Serrana Engenharia e que esses pagamentos foram feitos de 2017 a 2022, estimando um valor de R$ 460 mil.
Neuber disse que o seu primeiro contato com a Serrana foi em 2016, quando era apenas um candidato a prefeito. Mesmo durante a campanha, solicitou uma doação de R$ 150 mil que acabou sendo feita.
Depois que assumiu a Prefeitura de Itapoá, ele firmou um acordo com a Serrana de receber anualmente o valor de R$ 120 mil, que eram pagos em duas parcelas semestrais para Amilton José Reis, cunhado de Marlon.
A partir de 2022, os valores pagos passaram a ser baseados em um percentual do contrato que a Serrana tinha com o município. Com os valores recebidos, Marlon disse que comprou um imóvel e também cumpriu “compromissos sociais” assumidos por ele e parte também foi usado na eleição estadual de 2018.
Ele também admitiu que os R$ 180 mil apreendidos na sua casa eram realmente oriundos da propina recebida.
Amilton José Reis, cunhado de Marlon, também prestou depoimento na terça-feira e disse que foi envolvido pelo prefeito nesse esquema. Ele afirmou saber que o dinheiro era de um esquema de corrupção e que chegou a pensar em fazer uma denúncia.
PROPINA OCORRIA EM ATÉ 25% DAS PREFEITURAS
O proprietário da empresa Serrana Engenharia, de Joinville, também prestou depoimento na terça-feira, 30, e disse que das 135 Prefeituras que a sua empresa tinha contratos, entre 30 e 40 delas havia o acordo do pagamento de propina para agentes públicos.
Segundo o depoimento, o dinheiro pago aos prefeitos e outros gestores envolvidos no esquema de corrupção vinha das chamadas “notas frias”. As notas vinham, por exemplo, de consertos de caminhões usados nos serviços.
A Serrana pedia uma segunda nota fria, sem que o serviço fosse prestado, geralmente no valor entre R$ 5 mil a R$ 10 mil, e entregava na Prefeitura. O prestador que fornecia a nota tinha o imposto pago pela Serrana e o restante ficava para a empresa.
O homem conhecido como “mensageiro” fazia os pagamentos desde 2014 e, para não ser identificado, tinha 12 celulares para conversar com os agentes públicos.
Nas quatro fases da Operação, o Ministério Público e o Gaeco já identificaram que o esquema estava ativo em 27 cidades do Estado.
Veja os 16 prefeitos e o vice-prefeito que já estão presos:
Adilson Lisczkovski (Patriota) – Major Vieira
Adriano Poffo (MDB) – Ibirama
Alfredo Cezar Dreher (Podemos) – Bela Vista do Toldo
Antônio Ceron (PSD) – Lages
Antônio Rodrigues (PP) – Balneário Barra do Sul
Armindo Sesar Tassi (MDB) – Massaranduba
Deyvisonn Souza (MDB) – Pescaria Brava
Felipe Voigt (MDB) – Schroeder
Joares Ponticelli (PP) – Tubarão
Luis Antonio Chiodini (PP) – Guaramirim
Luiz Carlos Tamanini (MDB) – Corupá
Luiz Henrique Saliba (PP) – Papanduva
Luiz Shimoguri (PSD) – Três Barras
Marlon Neuber (PL) – Itapoá
Patrick Correa (Republicanos) – Imaruí
Vicente Corrêa Costa (PL) – Capivari de Baixo
Caio Tokarski (UB) – vice-prefeito de Tubarão





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