Não é de hoje que se sabe que o trabalho de um vereador é exclusivamente legislar e fiscalizar o poder executivo. Mas ao longo dos anos os vereadores assumiram para si a reivindicação de obras nos bairros, a organização de reuniões que, segundo eles, é para aproximar o legislativo do munícipe, e também a aprovação das inúmeras moções que tratam de assuntos dos mais diversos possíveis e imagináveis.
Nesta legislatura, quando não é para aprovar moções de repúdio contra Lula, Bolsonaro e todos aqueles políticos que fazem parte dessa bolha, eles pegam assuntos de outras cidades só para fazerem uma certa “média” com o eleitor.
Como se Blumenau já não tivesse problema que chega, a Câmara de Blumenau aprovou a Moção de Repúdio nº 202/2025, de autoria do vereador Alexandre Matias (PSDB) que, segundo ele “manifesta repúdio às declarações de cunho racista e discriminatório proferidas pelo comentarista Antônio Girardi, durante um programa da Rádio 92 FM de Timbó, emissora com alcance regional nas cidades do Vale Europeu”.
O comentário foi feito em um programa matinal da rádio de Timbó quando os apresentadores falavam sobre a adoção de crianças negras.
Durante a discussão da matéria, o autor da proposta lamentou a necessidade de levar o tema ao plenário, mas reforçou a importância do posicionamento institucional. Outros vereadores também usaram a tribuna para comentar o caso, como os vereadores Jean Volpato (PT), Bruno Cunha (Cidadania) e Silmara Miguel (PSD).
Aprovada por unanimidade, a moção será enviada à Rádio 92 FM de Timbó como forma de manifestação oficial do Legislativo blumenauense.
O problema é que os vereadores não fazem moções de repúdio para os prefeitos que trouxeram para a cidade a Piracicabana e a BRK, não fazem moção de repúdio para prefeitos que aprovam aumentos absurdos em taxas públicas e nunca se preocuparam em levar adianta CPIs que tentaram investigar contratos que até hoje parecem obscuros para o pagador de impostos.
PROTESTO CONTRA O MONOPÓLIO
Nesta mesma sessão as empresas de limpa fossa de Blumenau se manifestam contra obrigatoriedade imposta no último aditivo aprovado na Câmara de Blumenau, que garante para a BRK Ambiental exclusividade na limpeza de fossas residenciais de quem ainda não tem a rede coletora de esgoto.
Este já é o quinto aditivo do contrato de esgoto, que já está em vigor. As empresas alegam que esse “monopólio” pode provocar um desequilíbrio financeiro e até o fechamento das seis empresas que hoje também operam na cidade.
As empresas não possuem uma associação, mas estão unidas na luta para garantir a livre concorrência no mercado. “Afinal, são empresários, que pagam seus impostos, geram empregos e serão prejudicados com a nova determinação”, falou um dos presentes.
Já o empresário Gilvan Aparecido Augusto Pinto explicou que “o monopólio é uma forma de crime. A exclusividade da BRK impactaria negativamente tanto nas empresas locais, quanto aos cidadãos, que perderiam o direito de escolher o prestador e seriam obrigados a pagar pelo serviço na conta de água”.
O grupo buscou apoio na Câmara de Vereadores e está consultando advogados para avaliar ações legais contra o contrato. Eles também têm usado as redes sociais para divulgar o problema à população e planejam novos passos em conjunto.
A arquiteta Larissa Schwanke é moradora de Blumenau e foi até a Câmara apoiar a manifestação da categoria. Para ela, trata-se de uma imposição injusta. “Eu acho isso um absurdo porque eu moro numa casa onde a gente não enche a fossa uma vez por ano. A gente não precisa limpar a fossa uma vez por ano. Então agora estão impondo a gente a gastar uma coisa que não é necessária. É mais um gasto dentro do nosso orçamento”.
A expectativa é que o assunto seja aprofundado nas próximas reuniões da CPI do Esgoto, marcadas para acontecer todas as terças-feiras, às 10h.





Adicionar comentário