Mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) insistindo com a candidatura do seu filho e vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), ao Senado por Santa Catarina em 2026, a grande maioria dos catarinenses, que sempre votaram no Bolsonaro pai, rejeitam essa ideia.
Pelo menos foi o que mostrou a pesquisa feita pela empresa Neokemp, realizada entre os dias 3 e 4 de julho e encomendada pelo Grupo ND.
A empresa entrevistou 1.008 pessoas de 77 municípios catarinenses. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos com nível de confiança de 95%. A amostragem dos participantes do questionário corresponde aos mais de 8 milhões de moradores em Santa Catarina, conforme estimativa do IBGE para 2024.
De acordo com os números, 71% dos entrevistados entendem ser um desrespeito com o morador de Santa Catarina lançar candidatos que venham de outros Estados somente no período de eleição.
Esse número atinge em cheio o vereador Carlos Bolsonaro, que nunca morou em Santa Catarina, há 21 anos é vereador da cidade do Rio de Janeiro e seu pai só quer colocá-lo como candidato ao Senado e em Santa Catarina porque seu nome já foi rejeitado no estado de São Paulo.
A pesquisa mostrou também que 16% não concordam e nem discordam com a afirmação e outros 9,6% discordam completamente ou em parte. Apenas 2,7% dos ouvidos não quiseram ou não souberam responder.
Qual a posição dos deputados do PL:
O deputado estadual Nilso Berlanda foi o único a se posicionar abertamente contra a candidatura de Carlos. Para ele, “seria um equívoco político”. Ele entende que trazer um nome de fora desrespeita o eleitor catarinense e ignora lideranças locais preparadas.
O deputado estadual Carlos Humberto disse que “um político catarinense, com experiência e conhecimento da realidade estadual, tem muito mais condições de lutar por nossos interesses no Senado”.
Já o deputado federal Daniel Freitas afirmou que, se Carlos Bolsonaro realmente aceitar, ele seria “um grande defensor do nosso estado”. Já o deputado estadual Marcius Machado disse que “se for Carlos Bolsonaro, eu vou apoiar”.
A deputada federal Caroline de Toni diz que, se Carlos for candidato por Santa Catarina, ela o apoiará. “O mais importante é mudar a composição do Senado e construir uma base forte da direita”, disse a deputada.
Ricardo Guidi acha que é cedo para a definição de candidatos. “Acredito que o partido precisa ouvir a sociedade catarinense para essa decisão, e as escolhas precisam ser baseadas na vontade popular”.
O deputado federal Zé Trovão disse que na próxima eleição é preciso que a direita garanta 50% no Senado Federal. Mas para ele, Santa Catarina tem um nome forte e leal que é a deputada Caroline de Toni. “Uma mulher que exala os valores e virtudes que os catarinenses defendem”.
Para o deputado estadual Alex Brasil, cabe ao governador indicar um nome e ao ex-presidente Bolsonaro indicar o segundo nome. “Seguirei as orientações dos meus líderes e confio que ambos os indicados representarão com excelência o estado no cenário federal”.
O deputado estadual Jessé Lopes falou que “vai apoiar quem o Bolsonaro indicar”.
Para Maurício Eskudlark, “o projeto do PL é um Brasil melhor, e Santa Catarina é um exemplo. O povo catarinense tem um respeito muito grande pelo Bolsonaro e sabe que temos que eleger dois senadores de direita. Pela ligação forte com nosso estado, um deles pode ser Carlos Bolsonaro”.
O deputado Oscar Gutz diz que “a decisão das duas vagas ao Senado será tomada com responsabilidade e diálogo entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador Jorginho Mello, que também preside o PL em Santa Catarina. Confio na liderança deles, e tomarão, certamente, a melhor decisão para Santa Catarina e para o Brasil”.
Sargento Lima entende que “todos os indicadores nos dizem que os catarinenses, dos quais eu me incluo, não estão preocupados com 2026. Hoje, minha atenção está voltada a 2025 e, seja lá quem seja postulante ao Senado, à Câmara ou à Assembleia, deve se imergir nas pautas catarinenses”.
As deputadas federais Daniela Reinehr e Júlia Zanatta e os estaduais Ana Campagnolo, Ivan Naatz e Maurício Peixer preferiram não se manifestar.
VEJA OS NÚMEROS DA PESQUISA NEOKEMP:
50,1% concordam totalmente;
21% concordam em partes;
16,6% não concordam, nem discordam;
4,1 discordam em partes;
5,5% discordam totalmente.
Resultado por região:
Vale do Itajaí: 25% consideram desrespeitoso e 6,7% não;
Norte: 18,6% consideram desrespeito e 3,7% não;
Oeste: 18% consideram desrespeitoso e 8,2% discordam;
Grande Florianópolis: 16,9% consideram desrespeito e 4,7% não;
Sul: 15,7% consideram desrespeito e 3,8% não;
Serra: 5,8% consideram desrespeitoso e 3,4% não.





Adicionar comentário