Outro país impõe tarifas de até 77% sobre exportações de produtos brasileiros

A Venezuela determinou a aplicação de tarifas de importação que variam de 15% até 77% sobre os produtos brasileiros. A decisão afeta bens com certificados de origem que, até então, eram isentos de taxas pelo acordo comercial firmado entre os dois países em 2014.

A medida foi comunicada na última sexta-feira, 18, onde o impacto estimado é maior sobre produtos alimentícios. O Estado mais afetado foi Roraima, que faz fronteira com aquele país e vende muitos produtos para os venezuelanos.

O Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Roraima está em contato direto com as autoridades competentes do Brasil e da Venezuela em busca de esclarecimentos e soluções rápidas que visem a normalização do fluxo comercial bilateral.

O governo do presidente Nicolás Maduro não deu uma justificativa oficial sobre a mudança e nem informações sobre a data em que a taxa entrará em vigor.

Uma hipótese para as tarifas de 77% foi o posicionamento do Brasil, que exigiu uma ata mais transparente sobre a eleição de Maduro em julho do ano passado, quando, segundo o Conselho Eleitoral venezuelano, o presidente venceu com 51,21% dos votos (5,1 milhões), contra 44,2% (4,4 milhões) do opositor Edmundo González, apoiado pelos Estados Unidos.

Historicamente, o governo venezuelano é alinhado com a esquerda brasileira e o presidente Lula (PT) chegou a receber Nicolás Maduro em 2023.  Assim que assumiu a presidência, Lula retomou relações diplomáticas com a Venezuela e enviou, em 18 de janeiro daquele ano, uma representação oficial brasileira para atuar na embaixada em Caracas.

Em 2024, o Brasil registrou superávit comercial de quase US$ 778 milhões com a Venezuela. As exportações brasileiras somaram US$ 1,2 bilhão, com destaque para alimentos, e as importações vieram principalmente de produtos químicos, derivados de petróleo e alumínio.

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