Prefeito de Santa Catarina vira morador de rua para descobrir a verdadeira realidade

Um prefeito de Santa Catarina pegou dez dias de licença do cargo para passar por uma experiencia inusitada. Ele ficou 24 horas perambulando pela cidade como um morador de rua para ver como vivem essas pessoas e porque elas, mesmo com todas as dificuldades, permanecem por lá.

Vagner Espíndola (PSD), prefeito de Criciúma, se caracterizou para não ser reconhecido e fez tudo o que faz um morador de rua. Na entrevista que deu para o jornalista Adelor Lessa, da Rádio Som Maior (Criciúma), Vaguinho disse que chegou a arrecadar no sinaleiro pouco mais de R$ 5 em menos de 15 minutos, mas constatou que todo o dinheiro que essas pessoas recebem vão direto para a dependência química.

O prefeito foi para a rua às 5 da manhã do dia 10 de julho e ficou passou em locais como a Avenida Centenário, Praça Nereu Ramos, a região dos trilhos e nas sinaleiras da cidade. A noite, chegou a dormir em um pedaço de papelão no centro, mas teve que revelar a sua identidade porque foi abordado pela Assistência Social, já na madrugada do dia 11, pois não poderia entrar na Casa de Passagem sem dizer nome.

A percepção do prefeito foi que os moradores de rua, hoje, estão reféns dos traficantes de droga, mas mesmo assim querem sair da rua, se livrar do vício, só que sozinhos não vão conseguir.

Por este motivo, Vagner Espíndola decidiu implantar em Criciúma a internação involuntária porque viu que não será possível terminar com o sofrimento dos moradores de rua sem que haja uma ação mais eficaz do poder público.

“É preciso passar por isso também pra que a gente não faça qualquer pré-julgamento sem antes estar sentindo o que as pessoas sentem quando estão nessa situação”, disse Vaguinho.

Ele completa falando que “agora é transformar isso em políticas públicas que façam sentido e que tragam as pessoas de novo para o eixo. Ninguém nasceu na rua, as pessoas estão ali porque, em algum momento da vida, por uma escolha errada ou por qualquer outra situação, acabaram indo para ali”.

O prefeito Vagner Espíndola diz que vai atacar forte aqueles que querem manter o morador de rua ali, que, segundo ele, são o crime, o tráfico e as grandes facções, pois o morador de rua tá se transformando num problema social nas cidades.   

“A gente fala em se colocar no lugar do outro, mas é diferente quando você sente o mesmo cheiro, a mesma atmosfera. Não é uma narrativa. É realidade… A droga seduz e escraviza”, afirmou.

A Prefeitura já iniciou reuniões com equipes técnicas e forças de segurança para a criação de um novo protocolo de abordagem e acolhimento. “Agora falamos com propriedade. É hora de transformar dor em política pública efetiva”, finalizou.

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