Deputado federal de SC diz ter sido vítima de “lobos e abutres”

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira, 19, o regime de urgência para o Projeto de Resolução (PRC) 63/25, da Mesa Diretora da Câmara, que prevê pedido de suspensão cautelar por seis meses para os deputados que agredirem fisicamente ou impedir, por ação física, o funcionamento das atividades legislativas.

Com isso, a proposta poderá ser votada já nas próximas sessões do Plenário. O presidente Hugo Motta (Republicanos) defende essa proposta por causa da ocupação da Mesa do Plenário neste mês, durante protestos da oposição contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Confrontos físicos entre parlamentares são manifestamente incompatíveis com a dignidade do mandato e com os próprios fundamentos do Estado Democrático de Direito. Tais atos não apenas paralisam a atividade legislativa, mas também erodem a imagem e a autoridade desta Casa perante a sociedade”, declara a Mesa Diretora na justificativa da proposta.

A votação do regime de urgência da matéria foi aprovada por 266 votos favoráveis e 114 contra. A orientação da oposição era que todos os parlamentares deveriam reprovar o regime de urgência e 13 dos 16 deputados federais votaram contrários.

Já era esperado que a deputada federal Ana Paula Lima (PT) e o deputado Pedro Uczai (PT) não acompanhassem a bancada catarinense, mas a surpresa ficou mesmo com o deputado Ismael dos Santos (PSD), que acabou votando com a bancada governista pela aprovação da matéria.  

Diante da posição do deputado federal Ismael dos Santos (PSD), parlamentares de oposição de Santa Catarina que fazem parte da ala que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro, deram ferramenta para que seus seguidores e parte da imprensa afirmasse que o deputado do PSD havia rompido com a bancada catarinense e se unido ao PT e ao Governo Lula.

Para a oposição, esse projeto amplia o entendimento de quebra de decoro parlamentar para atingir justamente os deputados que protestarem na Câmara, como Caroline de Toni, Zé Trovão e Júlia Zanatta, e que isso pode virar uma arma contra a liberdade de expressão da oposição no plenário.

Se sentindo injustiçado, Ismael dos Santos disse no pronunciamento que fez na tribuna da Câmara na quarta-feira, 20, que “lobos vorazes tentarem distorcer a nossa liberdade no que diz respeito a tramitação do projeto nesta casa, inclusive aliando a nossa votação ao presidente Lula… eu tenho sistematicamente, basta acompanhar as minhas redes sociais, votado contra o governo Lula”.

O deputado catarinense fala também que “a narrativa, inclusive de um rompimento com a bancada de Santa Catarina, isso não passa de uma distração para confundir a opinião pública catarinense”.

Ismael disse que conversou com outros deputados do PL, inclusive os de Santa Catarina, e que não há dúvida que ele votará contrário a qualquer tipo de obstrução da livre expressão na Casa.

Ele fala no pronunciamento que ficou indignado e repudia “as manchetes de blogueiros abutres, lobos, que constroem narrativas falsas, narrativas improcedentes. A estes lobos insaciáveis o nosso recado firme e pontual, não daremos poder a qualquer pessoa ou instituição que represente esse sistema tirano que está aí”.

Ele termina a sua fala dizendo que seus valores são conservadores e que seu princípio ético é inegociável e a sua ação será intensa pelos municípios catarinenses.

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