Crime organizado vai usar a Pec da Blindagem para eleger infiltrados nas próximas eleições

É fato que o crime organizado no Brasil realmente está muito mais organizado do que o Estado e hoje já tem prefeitos e vereadores eleitos Brasil afora e também tem membros da facção até no judiciário. Eles também comandam empresas de fachada que trabalham nos setores de combustíveis, de serviços e muitas outras áreas consideradas legais.

Na noite de terça-feira, 16, 344 deputados federais aprovaram a Pec da Blindagem, que vai dificultar abrir processos contra parlamentares, podendo fazê-lo somente com autorização do Congresso em votação da maioria.

Na votação, apenas 133 deputados federais votaram contra, mas uma vitória foi conseguida por alguns deputados do partido Novo, entre eles o catarinense Gilson Marques, que incluíram uma emenda que exige que a votação não seja mais secreta e sim de forma aberta. Com isso, quando acontecer esse tipo de votação, o eleitor saberá quem impediu e quem autorizou algum deputado federal ou senador a ser processado.

Dos 16 deputados federais de Santa Catarina, apenas a deputada Ana Paula Lima (PT) e os deputados Pedro Uczai (PT) e Gilson Marques (Novo), votaram contra. Já os parlamentares Daniel Freitas (PL), Júlia Zanatta (PL), Ricardo Guidi (PL), Zé Trovão (PL), Daniela Reinehr (PL), Caroline de Toni (PL), Valdir Cobalchini (MDB), Rafael Pezenti (MDB), Luiz Fernando Vampiro (MDB), Ismael dos Santos (PSD), Fábio Schiochet (UB), Jorge Goetten (Republicanos) e Geovânia de Sá (PSDB) votaram favoráveis.

Essa Pec também vai dificultar que a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal investigue os deputados acusados de distribuírem as suas emendas parlamentares a Estados e Municípios sem o devido rastreamento dos recursos. Segundo a CGU, a cada 10 cidades que receberam recursos, nove há dificuldade em saber onde foi parar o dinheiro.

Neste caso, a CGU investiga 32 deputados do PP, 7 deputados do MDB, 6 deputados do PT, 1 deputado do PSDB e 1 deputado do PTB. Ao todo, são 47 pessoas com foro privilegiado investigadas, entre eles o tesoureiro do PT, João Vaccari; a ministra Gleisi Hoffmann, o senador Humberto Costa, os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello, a ex-governadora Roseana Sarney, e o ex-deputado federal catarinense João Pizzolatti.

E para a aprovação da Pec da Blindagem, situação e oposição se uniram em prol de um bem comum. Por incrível que pareça, deputados federais do PL e do PT votaram juntos. Os partidos que mais contribuíram para a aprovação da Pec foram o PL (83 deputados), União Brasil (53 deputados), PP (46 deputados), Republicanos (42 deputados), MDB (35 deputados), PSD (25 deputados), Podemos (14 deputados) e PT (12 deputados).

Vale lembrar que, diferente das posições das executivas estaduais, como em Santa Catarina, muitos destes partidos são da base do Governo Lula.

Fato é que é mais um privilégio e, acima de tudo, uma grande barreira para que o crime e os criminosos se blindem contra a investigação, a condenação e principalmente a punição pelo uso de recursos públicos ou até de leis que jogam o país no colo do crime organizado, deixando o brasileiro “comum” a mercê do banditismo, seja na sua cidade ou no grande portal chamado Brasília.

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