O delegado da Polícia Federal encarregado de apurar supostas irregularidades na gestão de cerca de R$ 1 milhão do fundo eleitoral pelo presidente estadual do PSB, Israel Rocha, durante a eleição municipal de 2024, teria solicitado mais 90 dias de prazo para concluir as investigações.
Já se fala que esse pedido pode servir para que as investigações avancem também na prestação de contas de 2025, o que resultaria em novos fatos.
Em junho deste ano, o colunista do O Globo, Lauro Jardim, publicou um texto que dizia que o presidente estadual do PSB de Santa Catarina, Israel Rocha, tinha se tornado alvo de uma notícia-crime por suposta apropriação indébita, falsidade ideológica e estelionato.
Rocha é acusado de desviar recursos do Fundo Partidário, bem como omitir informações e preencher indevidamente recibos em branco nas eleições de 2024. As suspeitas foram encaminhadas ao Ministério Público, mas Israel nega as acusações e afirma que seguiu rigorosamente a legislação eleitoral.
Segundo o documento, Rocha, na condição de presidente da Comissão Estadual Provisória do PSB no estado, deixou de convocar a reunião da Comissão Executiva Estadual para deliberar sobre a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
Com isso, imagina-se que a crise política e o vácuo de poder no comando da sigla devem se estender. Então, ganha fôlego dentro do PSB o grupo descontente com a possível entrega do comando do partido para as mãos do ex-senador Paulo Bauer, hoje sem partido.
PARA A ELEIÇÃO DE 2026
A esquerda, em especial o PSB, procura um nome mais alinhado com a direita e com perfil moderado para ser candidato do partido nas eleições de 2026, tentando diminuir a força da candidatura do governador Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição.
Décio Lima, do PT, diz que é pré-candidato a governador, mas petistas falam que é apenas para valorizar o passe, pois o que ele quer mesmo é a vaga no Senado.
Com isso, o PSB poderia ser a alternativa para indicar o candidato a governador numa dobradinha invertida do cenário nacional. Lá, saem Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) e por aqui poderia-se ter PSB de governador e o PT de vice com Décio ao Senado.
Vale lembrar que o PSB já teve Paulinho Bornhausen como presidente estadual e Dário Berger como candidato a senador em 2022.
Então, o mesmo mentor de 2022 é também quem tenta reeditar a aliança com o PT para 2026. Gelson Merísio, que já foi um importante nome do PSD e tem grande amizade com Décio Lima, já tentou buscar o ex-governador Raimundo Colombo (PSD), que prefere ver o cenário antes de uma possível saída do seu atual partido.
O segundo alvo é o ex-senador Paulo Bauer, que já deixou o PSDB e está livre no mercado. Para seduzi-lo, inicialmente se entregaria a presidência provisória do PSB para alguém ligado a ele e no ano que vem Bauer se filiaria, assumiria como presidente e seria lançado como candidato a governador da esquerda numa aliança que teria além do PT, o PCdoB, a Rede, muito provavelmente o PDT, PV e Solidariedade.
Pois bem, para que tudo isso aconteça, tem que combinar com as executivas nacionais para que a coisa não fique pior do que tá em Santa Catarina.
Mesmo Décio tendo ido para o segundo turno em 2022, a eleição interna do PT mostrou que o partido não está unido e o PSB sofre uma das suas piores crises com a investigação da atual direção. Quem se aproveita de tudo isso é o Psol, que tem avançado sobre o eleitorado da esquerda e tem conseguido tirar do PT o protagonismo local.





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