Se já não bastasse as decisões que afetaram negativamente a vida de produtores de leite, dos produtores de banana e dos pescadores da tainha, agora o Governo Lula, através de várias ações equivocadas, pode prejudicar os criadores de Tilápia de todo o país.
O Brasil é o 4º maior produtor de Tilápia do mundo e segundo o Anuário PeixeBR 2025, o país produziu 662,2 mil toneladas de tilápia só em 2024, com um aumento de 14,3% em relação a 2023. A espécie representa 68% da produção total de peixes cultivados no país, consolidando o Brasil como uma potência global na aquicultura, atrás apenas de China, Indonésia e Egito.
Os estados que mais contribuem para essa produção são Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, que podem ver mais de 90% de seus produtores de peixes em cativeiro terem que também trabalhar no vermelho.
A piscicultura nacional gere cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos, movimentando uma cadeia que vai desde a ração até a logística.
DECISÕES ERRADAS
Tudo porque, em abril deste ano, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávero, assinou uma portaria liberando a importação de tilápia do Vietnã. A Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) considerou a medida imprudente por conta dos riscos sanitários e do enfraquecimento da competitividade nacional, já que essas Tilápias vão chegar no mercado brasileiro com custos de produção muito menor.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, junto com a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), também resolveram incluir a Tilápia na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras, já que não é um peixe nativo do Brasil, sendo originário da bacia do rio Nilo, na África.
O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, disse estar monitorando os impactos econômicos e sociais, mas destacou que a responsabilidade sobre o tema é do Ministério da Agricultura e Pecuária.
DE NOVO?

Mas o problema maior é que o Governo Federal permitiu que a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, importasse um lote de 32 containers, num total de 700 toneladas de Tilápia.
O primeiro container saiu neste mês do porto Ho Chi Minh (Vietnã) e tem previsão de chegada no Porto de Santos (SP) no dia 17 de dezembro com as primeiras 24 toneladas.
Essa liberação faz parte de acordos comerciais entre os dois países e foi oficializada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil.
Mas essa liberação não tem nenhum relatório que mostre a análise de risco de importação e nem o porquê foi baixada a suspensão de importação de Tilápia do Vietnã, que era visto como suspeita de conter o Tilápia lake vírus, ou vírus da Tilápia do lago.
A principal preocupação desse vírus é o seu impacto socioeconômico, pois ele pode causar altas taxas de mortalidade nas criações de tilápias, chegando a 90% em alguns casos, o que afeta a produção de alimentos e a economia de muitas regiões.
Embora o vírus em si não represente um risco direto à saúde humana, o consumo de peixe, em geral, deve seguir as práticas de segurança alimentar, como a cocção adequada, para evitar a contaminação por bactérias que podem estar presentes em alimentos mal manuseados ou malcozidos.
EM SANTA CATARINA

Por aqui, o secretário da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Tiago Frigo, fala que as medidas do Governo Federal são irresponsáveis e vai atingir mais de 30 mil produtores do Estado.
A região que mais produz Tilápia no estado é o Sul, e segundo os produtores, vai inviabilizar o licenciamento ambiental de Tilápia no Brasil e vai dificultar a concorrência com os importados.
Mesmo que o consumidor não queira consumir o produto importado, ele não terá como identificar a diferença do que vem de fora e das Tilápias que são produzidas aqui.
Tiago informou que vai entrar na Procuradoria Geral do Estado para que se judicialize essas autorizações para que se proteja o produtor catarinense e brasileiro.
Veja a entrevista de Tiago Frigo na Jovem Pan Floripa:





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