Na manhã desta quinta-feira, 4, o vereador Bruno Win (Novo) denunciou o estado crítico da infraestrutura do sistema de esgoto sanitário de Blumenau.
Ele se baseia no relatório técnico da MPB Engenharia, contratado pela Prefeitura, que revelou falhas graves na implantação e manutenção dos Poços de Visita (PVs), que são estruturas essenciais para fiscalizar, ventilar e garantir o funcionamento adequado da rede de esgoto.

Os dados do relatório mostraram anos de negligência da Prefeitura de Blumenau e do Samae na fiscalização do sistema, contribuindo para um colapso operacional que afeta diretamente a qualidade do serviço, do pavimento das ruas e da segurança sanitária da população.
Foi justamente esse relatório técnico, somado à forte pressão popular e a CPI do Esgoto na Câmara de Vereadores que forçaram o prefeito Egídio Ferrari (PL) a revogação do quinto aditivo do contrato com a BRK Ambiental no mês de agosto deste ano.
PRINCIPAIS PROBLEMAS
O relatório mostrou que a situação é ainda mais grave do que se imaginava. Entre os principais achados, destacam-se:
1. Poços de Visita desaparecidos
2.171 PVs simplesmente não foram encontrados durante o mapeamento.
A ausência impede qualquer tipo de fiscalização da rede em diversos bairros.
2. Poços emperrados e inacessíveis
Cerca de 8% dos poços localizados estavam travados ou lacrados, impossibilitando inspeções técnicas.
3. Profundidade fora da norma
1.235 poços (13%) têm profundidade menor que a exigida pelas normas técnicas.
O dado mais preocupante: 81% desses PVs rasos ficam em vias de tráfego intenso, sofrendo impacto constante de veículos — o que provoca rachaduras, deformações e até rupturas de tubulações.
4. Poços danificados
26% dos poços analisados já apresentam danos estruturais, indicando risco de infiltrações de esgoto no solo e comprometimento ambiental.
5. Danos no pavimento
64% dos locais (7.152 pontos) têm danos no asfalto ao redor dos PVs — ondulações, afundamentos e buracos percebidos diariamente pelos motoristas blumenauenses.
6. Sobrecarga da rede
Em 76 trechos, a vazão de esgoto é maior do que a tubulação suporta, o que gera refluxos, mau cheiro e risco de alagamentos.
PREJUÍZO DE R$ 50 MILHÕES

Os estudos mostraram que o custo inicial para corrigir os problemas identificados é de aproximadamente R$ 50 milhões, valor que não inclui as redes executadas com recursos do PAC e da FUNASA, cuja responsabilidade era da Prefeitura e que sequer foram analisadas. “Ou seja, o buraco pode ser ainda maior”, afirma o vereador.
Para Bruno Win, o quadro ajuda a explicar o desempenho abaixo do esperado de Blumenau no Índice de Competitividade dos Municípios nas áreas de Acesso à saúde e Saneamento básico. “O que vemos hoje é consequência de gestões que preferiram empurrar o problema com a barriga e varrer a sujeira para debaixo do asfalto. Agora, tentam fazer a população pagar a conta”, declarou.
Ele fala que vai continuar cobrando a Prefeitura de Blumenau, o Samae a a Agir para saber onde estão os 2.171 poços desaparecidos, porque tantos PVs foram instalados fora das normas e quais medidas imediatas serão tomadas para corrigir a sobrecarga da rede.





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