O processo de concessão do esgoto de Blumenau é mais claro que água

Independente da CPI do Esgoto Sanitário da Câmara de Vereadores de Blumenau ter ou não algum efeito prático, é muito claro, depois de todas as informações que surgiram nesses depoimentos, que o problema maior de tudo isso começou lá em 2010.

Primeiro, por fazer um edital que prometia entregar 22% de rede coletora de esgoto que sequer existiam e que nem se tinha a certeza se seriam feitos pelo Samae e Prefeitura de Blumenau.

Já naquela época, sabia-se que haveria um embate jurídico em torno do convênio da Funasa, pois o Governo Lula entendia que a Prefeitura não poderia usar o dinheiro liberado por ter terceirizado o sistema.

Era claro que isso ia acontecer e a solução dessa briga jurídica só teve o ponto final 14 anos depois, quando o problema já tinha chegado no seu limite, que, como todos sabem, teve e tem que ser pago, mais uma vez, pelo usuário.

Outro ponto que chama a atenção é como a Prefeitura de Blumenau e o Samae não acompanharam as obras feitas pela Sulcatarinense, que implantou 200 km de rede de forma errada e malfeita e depois abandonou a obra por falta de pagamento.

Aliás, essa tubulação e toda essa parte do sistema que, supostamente, foi descoberto pela auditoria e que estava em desuso pela precariedade da obra, muito provavelmente já tinha registro dentro do Samae, pois desde a implantação do primeiro metro do sistema de esgoto de Blumenau, lá no governo do ex-prefeito Renato Vianna (MDB), tudo tinha sido registrado pelo Samae.

Quando o consórcio Saneblu, formado pelas empresas Foz do Brasil S/A, Odebrecht Engenharia S/A e Engeform, ganhou a licitação e começou a fazer a implantação dos tubos de esgoto em Blumenau, toda a população já reclamava da má qualidade da obra, mas a administração de JPK não fez nada.

Descobrimos também que a tarifa de esgoto deveria ter tido uma redução de pouco mais que 2%, mas não aconteceu porque o prefeito Mário entendeu que o sistema não poderia ter um prejuízo. Prejuízo esse que não existiu, pois a empresa deveria ter feito obras, mas acabou não realizando.

Então, já era sabido da existência de tudo isso, ao menos que alguém sumiu com esses registros no Samae e as administrações que vieram depois não tinham mais conhecimento do que já tinha sido implantado.

Depois da administração do prefeito João Paulo Kleinubing (sem partido), vieram as administrações de Napoleão Bernardes (PSD) e Mário Hildebrandt (PL) e todas, sem exceção, empurraram o problema com a barriga com a conivência dos vereadores que estavam na Câmara nessas administrações.

É fato que a CPI surge dentro do legislativo, mas é fato também que não se pode tirar a responsabilidade dos vereadores que aprovaram as ações dos prefeitos por fazerem parte da base do governo e que, agora, tentam salvá-los, como se nada tivesse acontecido durante esses 14 anos da concessão.

Se os envolvidos serão punidos ou não a gente não sabe, até porque tudo isso deve acabar no Ministério Público e, de novo, tudo vai se perder no tempo do judiciário, que sempre demora para chegar a uma conclusão, como já aconteceu com a Operação Tapete Negro, que apenas multou alguns envolvidos.

Esse jogo de cena político que acontece na Câmara não vai nos levar a lugar nenhum e só serve para proteger quem deveria ter sido cobrado lá atrás.

Então, morador de Blumenau, pague a sua fatura de água/esgoto/lixo e vote melhor nas próximas eleições para que você não precise, novamente, pagar a conta por trabalho de péssima qualidade feito por quem deveria ter executado o serviço bem feiro e não o fez.

Acompanhe

Entre em nosso grupo do Whatsapp e nos siga em nossas redes

Patrocinadores