O extremocentrismo não está em crise de identidade, está em crise de falta de identidade. E Hugo Motta é o símbolo desse vazio político

O fenômeno do extremocentrismo, essa tentativa de ocupar todos os espaços ideológicos ao mesmo tempo, mirando em todos os públicos e acertando em nenhum, vive hoje um esgotamento cada vez mais evidente. Não se trata de uma crise de identidade, como alguns analistas costumam afirmar. É pior do que isso: trata-se de uma crise de falta de identidade.

E poucos encarnam tão bem essa lógica quanto Hugo Motta, deputado federal pelo estado da Paraíba, presidente da Câmara dos Deputados e filiado ao Republicanos. Ele se movimenta como quem executa um malabarismo permanente para agradar a todas as plateias. A consequência é previsível: um personagem político que não mobiliza, não inspira e não se ancora em nada.

Enquanto Motta aposta na velha tese de que o povo está cansado dos extremos, a realidade dos números conta outra história. O ranking de engajamento digital dos políticos brasileiros, hoje um dos termômetros mais precisos do humor do eleitor, demonstra que quem domina a atenção do público pertence aos clusters mais definidos: extrema esquerda e extrema direita. São eles que acumulam as maiores bases, o engajamento mais intenso e a capacidade real de acionar suas audiências.

Ou seja, quem acredita que o Brasil rejeita radicalidades está lendo o país de trás para frente. Os números mostram justamente o contrário. O eleitor quer clareza, identidade e propósito, concorde-se ou não com o conteúdo. O público prefere quem sabe exatamente o que é, mesmo que seja extremo, a quem tenta vestir todos os figurinos ao mesmo tempo.

O extremocentrismo entrega algo completamente diferente: discursos elásticos, posicionamentos calculados ao milímetro e uma plasticidade que enfraquece qualquer narrativa. No caso de Hugo Motta, isso se traduz em uma marca evidente. É o político que tenta agradar a todos, mas não agrada a ninguém. Na política hiperconectada, onde tudo tem rosto, tom e direção, essa ambiguidade não seduz. Ela esvazia.

A crise dessa estratégia não é conjuntural. É estrutural. Em um cenário em que identidade vale mais do que qualquer slogan, o extremocentrismo se mostra incapaz de sustentar uma base fiel ou de disputar atenção com quem se posiciona de forma clara. O eleitor reconhece autenticidade. E também reconhece quando ela falta.

Hugo Motta, nesse contexto, deixa de ser exceção e se torna síntese. É o retrato de um modelo político que tenta existir por ausência e não por convicção.

O extremocentrismo não fracassa porque escolheu o meio termo. Fracassa porque escolheu não se definir. E, na política brasileira de hoje, isso tem custado caro.

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