No dia 18 de novembro de 2025 o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Imobiliários (São Paulo), de propriedade de Daniel Vorcaro, que no dia 17 já tinha sido preso no aeroporto de Guarulhos tentando fugir para a Ilha de Malta.
Por quê? Ele criava créditos falsos, emprestava dinheiro que não existia e criou uma fraude de R$ 12 bilhões. Tentou vender o seu banco para o BRB, o Banco público de Brasília, e jogar a bomba no colo da população.
O problema dos investidores começa quando a juíza Solange Salgado da Silva, do TRF da 1ª Região, concedeu um habeas corpus para que o banqueiro fosse solto. Quem faz a defesa de Daniel Vorcado é o escritório de advocacia Barci de Moraes, com quem o Banco Master tem um contrato no valor de R$ 129 milhões.
Coincidentemente, trabalham lá a mulher, Viviane Barci de Moraes, e os dois filhos do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Outra coincidência é que este mesmo escritório já defendeu a juíza Solange Salgado em alguns processos.
A defesa de Vorcaro invocou o STF e o ministro Dias Tófolli decretou sigilo máximo do processo contra o banqueiro.
O PROBLEMA NÃO É DE HOJE
Em 2022, começaram a surgir dúvidas sobre a saúde financeira do banco por conta da captação cara, da exposição a ativos de risco e das negociações de venda que não avançavam.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição. CDBs são investimentos de renda fixa onde o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros sobre o valor aplicado.
Segundo o especialista em investimentos Jeff Patzlaff, o problema não era o CDB em si, mas o que justificava taxas tão elevadas. “No mercado financeiro, bancos saudáveis conseguem captar dinheiro barato, pagando algo entre 100% e 105% do CDI. Quando você via o Banco Master oferecendo 130%, 150% ou até 180% do CDI, isso não era generosidade, era um pedido de socorro”, disse Jeff.
Em 2024 a Polícia Federal iniciou uma investigação de uma possível criação de carteiras falsas de créditos, que segundo o diretor da PF, Andrei Passos, chegou ao valor de R$ 12 bilhões desviados desses fundos podres.
O Master chegou a usar antigas ações do Banco Besc, que fechou em 2008, que foram compradas, na época, pelo Fundo FIDC Hight por R$ 850 milhões. Essas ações, que na prática não tinham mais como se valorizarem, saíram do Banco Master e foram parar no fundo Reag. Depois disso, passaram por outros 36 fundos de fachada e voltaram para o Master valendo R$ 11,5 milhões.
OS ENGANADOS
O Fundo Garantidor de Créditos estima que 1,6 milhão de investidores do Master, que detém R$ 41 bilhões em depósitos bancários (CDBs), poderão ser ressarcidos caso a liquidação seja confirmada. Para se ter ideia do tamanho do rombo do Master, esse valor representa um terço do caixa do FGC, que soma R$ 122 bilhões em recursos líquidos.
Entre esses 1,6 milhões de investidores, temos muitos catarinenses que separaram pequenos valores, entre R$ 100 e R$ 1 mil, na compra desses papéis que muita gente de Brasília sabia que eram podres, mas se calaram.
PODE ACABAR EM PIZZA
Agora, o que se houve em Brasília, é que a decisão do Banco Central, da liquidação do Banco Master, pode ser revogada e ainda a União pode ser condenada a ter que indenizar Daniel Vorcaro pela decisão, dita precipitada, do Banco Central.
Ouve-se também nos corredores do Congresso que, como há muitos deputados, senadores e magistrados envolvidos, é muito provável que se trabalhe para que o processo que está no STF contra Daniel Vorcaro seja arquivado e que a venda do Master continue o trâmite normal.
Se isso acontecer, o Fundo Garantidor de Crédito não vai garantir o pagamento de nenhum valor e os pouco mais de 1,6 milhões de investidores vão ficar a ver navios, dependendo da sorte e sem a certeza de receber o que tinha sido acordado.
Se vai acontecer ou não, só o tempo dirá, mas Vorcaro tem muita informação e uma lista de nomes de gente que não pode, não quer, e vai fazer de tudo para não aparecer.





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