Colombo critica a polarização e diz ser um desamor o voto em Carlos Bolsonaro

Na terça-feira, 20, o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) deu uma entrevista para a Rádio Menina, de Balneário Camboriú, dizendo que, para ele, a política passa por uma transformação profunda e exige mais preparo, estudo e responsabilidade.

Colombo defendeu o diálogo como princípio da boa política e critica a radicalização ideológica que, segundo ele, tem agravado a divisão da sociedade: “O radicalismo gera ódio, intolerância e destruição, enquanto a política deve ser exercida com firmeza, respeito e capacidade de ouvir posições divergentes”.

Raimundo Colombo falou também que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), desponta com potencial pela sua capacidade de comunicação e de apresentar propostas através do trabalho que vem fazendo na Prefeitura da principal cidade do Oeste.

Sobre o cenário eleitoral de 2026, Colombo diz não ter, neste momento, intenção direta de disputar cargos, mas não descarta a possibilidade ser candidato a deputado federal.

O ex-governador criticou a possibilidade de Santa Catarina ter candidatos sem vínculo com o Estado, especialmente para o Senado, como é o caso do ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL).

“Sou contrário à eleição de representantes que não conhecem a realidade catarinense, porque o Senado exige profundo conhecimento das demandas econômicas, sociais e estruturais de Santa Catarina, que possui quadros políticos qualificados e históricos de lideranças que ajudaram a construir o desenvolvimento”, disse Raimundo Colombo.

Ele completa a fala dizendo que “o eleitor precisa refletir com responsabilidade sobre o futuro político, priorizando compromisso, preparo e identidade com o estado. É um ato de desamor para Santa Catarina”.

Ao avaliar o atual governo de Santa Catarina, Colombo afirma que não concorda com a condução da gestão estadual, classificando-a como “medíocre, com excesso de propaganda e poucos resultados concretos”.

Essa crítica se estende à divulgação de dados oficiais. Colombo questiona números apresentado, especialmente na área da saúde, citando como exemplo a divulgação de mais de 1,2 milhão de cirurgias realizadas.

Para ele, o dado não se sustenta quando confrontado com a população do Estado e com a falta de transparência sobre a metodologia utilizada.

Para Colombo, Santa Catarina enfrenta um profundo desafio de infraestrutura com o aumento populacional. Ele diz que a BR 101, em evidente colapso, é o exemplo.

Para o ex-governador, Santa Catarina mantém indicadores positivos de segurança pública, mas isso não significa que o Estado esteja livre de riscos.

Na avaliação de Colombo, justamente por ser um dos estados mais organizados e economicamente fortes do país, Santa Catarina também se torna um dos mais visados pelo crime organizado, que enxerga na região oportunidades de expansão.

O ex-governador alerta que a criminalidade organizada hoje atua de forma estruturada, extrapolando a violência tradicional e avançando sobre setores da economia, da política e até do Judiciário.

Segundo ele, trata-se de um fenômeno nacional e nenhum estado brasileiro está totalmente seguro, o que exige vigilância permanente e políticas públicas firmes.

Ao relembrar sua experiência como governador, Colombo destaca que o enfrentamento ao crime exige planejamento, investimento em inteligência, fortalecimento das forças de segurança e atuação integrada do Estado.

Raimundo Colombo falou que minimizar o problema ou ignorar sua gravidade é um erro estratégico. Segundo ele, o país caminha para um cenário em que, a partir de 2050, haverá mais pessoas com mais de 65 anos do que jovens com menos de 20, o que altera completamente a lógica das políticas públicas.

Na avaliação de Colombo, esse novo perfil populacional exigirá investimentos crescentes em saúde, especialmente em atenção ao idoso, tratamentos de longa duração e estrutura hospitalar adequada.

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