Será que o Novo virou velho na política de Santa Catarina?

O governador Jorginho Mello (PL) conseguiu convencer o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), a ser o seu vice na sua chapa de reeleição na eleição de 2026.

Até aí, tudo bem e agora a eleição ao Governo do Estado começa definitivamente em Santa Catarina.

Mas essa decisão começa a mostrar que tudo aquilo que o Novo sempre condenou, passa a fazer parte da história do partido daqui para frente.

E a peça-chave de toda essa mudança é justamente o prefeito Adriano Silva. Voltando a um passado recente, na eleição de 2024, o Novo e Adriano Silva aceitaram uma parceria com o PSD para conquistar a sua reeleição em Joinville.

O PSD, inclusive, aceitou todas as exigências do Novo e até manteve Rejane Gambin como vice-prefeita na sua chapa. O mais engraçado é que o grande adversário do prefeito era o PL, que lançou o deputado estadual Sargento Lima como candidato naquela eleição.

Sargento Lima sempre foi um crítico da atual administração municipal de Joinville e o vereador Cleiton Profeta (PL) também sempre fez muitas denúncias contra o prefeito Adriano Silva.

No fim de 2024, já depois da eleição municipal, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, deu uma entrevista para a coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, descartando qualquer aliança com Jorginho Mello, dizendo até que ele tinha “atitudes pensando apenas em benefícios políticos de curto prazo”. A frase mais impactante da entrevista foi “não vejo possibilidade de caminharmos junto com o governador em 2026”.

Já Adriano Silva depois de reeleito, já em 2025, começou a sinalizar uma aproximação com o governador Jorginho Mello com o discurso de garantir obras importantes para Joinville.

Isso aconteceu durante todo aquele ano, mas sempre com o discurso que a sua missão era terminar o segundo mandato na Prefeitura da sua cidade.

Imaginava-se, pelo histórico do Novo, que a parceria com o PSD continuaria na eleição de 2026. O PSD, inclusive, ofereceu a vaga de vice na chapa de João Rodrigues para Adriano Silva e, diante da recusa, chegou a oferecer a possibilidade de Adriano Silva ser o candidato a governador com o PSD indicando o vice.

Nada feiro, o prefeito de Joinville se manteve firme de continuar na administração municipal e o Novo chegou a lançar o deputado federal Gilson Marques como candidato a senador. O Novo até negociou com a deputada federal Caroline de Toni para que ela fosse o segundo nome ao Senado numa provável aliança com o PSD.

Mas 2026 chegou e alguma luz divina da virada do ano mudou tudo isso e Adriano Silva e o Novo aceitaram conversar com Jorginho Mello sobre as eleições de 2026. Foram duas ocasiões nesse mês de janeiro até que o prefeito de Joinville recebeu o aval do seu partido e aceitou o convite do governador de Santa Catarina para compor a chapa de reeleição. Essa aceitação passa também pelo aval do ex-promotor Odair Tramontin, pelo deputado estadual Matheus Cadorin e de toda a cúpula do Novo em Santa Catarina

Pois bem, sabe-se que o Novo precisa em 2026 eleger mais deputados federais para voltar a ter direito ao tempo de TV e ao Fundo Eleitoral.

Então, a dúvida que fica agora é se o Novo tem em mente alguma coisa que a gente ainda entendeu ou se o partido começa a assumir atitudes como qualquer outra legenda da política nacional?

Isso só o tempo dirá, mas tudo que aconteceu nessa situação é visto ano após ano nas últimas eleições Brasil afora.

Isso coloca o Partido Novo e principalmente Adriano Silva na mesma prateleira de políticos experientes que esquecem as ideologias para garantir apoios em troca da manutenção do poder.

Jorginho Mello tá conseguindo colocar em prática a sua estratégia de manter o bolsonarismo do seu lado, descartando partidos como o MDB, PP e União Brasil, que nacionalmente estavam com Lula.

Já o Novo pode ter unido o útil ao agradável, aumentando a sua chance de eleger mais candidatos na proporcional e em 2030 tendo a possibilidade de ter o atual prefeito de Joinville como o candidato de Jorginho Mello ao Governo do Estado, caso seja reeleito.

Agora só resta saber como o eleitor vai reagir a isso tudo!

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