Nesta terça-feira, 3, acontece a primeira sessão ordinária da Câmara Municipal de Blumenau, mas o que era para ser um dia de retornos e de muitas postagens nas redes sociais, passou a ser um dia de recolhimento e de discrição.
Logo cedo a Polícia Civil peregrinou pelo gabinete do vereador Almir Vieira, do PP, e também na sua residência. Os policiais também estiveram no gabinete de um outro vereador da casa para conversar com um funcionário que teria ligação com o principal investigado.
Esse caso começou a ser investigado em 2024 quando um ex-comissionado de Almir disse que havia um suposto esquema de rachadinha no gabinete. Assim como já acontecia na administração do ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL), o vereador costuma ter muitas indicações em cargos na Prefeitura de Blumenau, tendo na sua cota secretários, diretores e coordenadores.
Mas o delegado André Gustavo Marafiga Costa disse que, a partir da investigação da suposta rachadinha, viu-se que pode ter ocorrido também outro suposto crime. Almir Vieira, segundo o delegado, teria ajudado empresas a serem contratadas pela Prefeitura de Blumenau e em troca, pode ter recebido valores por isso.
Então, o inquérito, além de peculato, trabalha também com o crime de corrupção passiva e ativa e também lavagem de dinheiro. Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em Blumenau, Balneário Camboriú, Itapema e também em Videira. A polícia informou também que o vereador de Blumenau foi preso em flagrante, mas liberado no fim da tarde após o pagamento de fiança.
A Câmara de Blumenau emitiu uma nota dizendo que essa investigação apura apenas a conduta de vereadores e seus assessores, “sem qualquer direcionamento institucional contra a Câmara Municipal”.
Já o vereador Almir Vieira também enviou uma nota confirmando a presença da Polícia Civil no seu gabinete e que está à disposição para os devidos esclarecimentos. Ele diz também que confia plenamente no trabalho da justiça e que todos os fatos serão esclarecidos. “Assim que houver acesso a mais informações oficiais sobre o ocorrido, estas serão divulgadas com total transparência”, comenta Almir Vieira (PP).
CLIMA PESADO
Aa sessão de hoje na Câmara de Blumenau começa as 15 horas com um clima mais pesado, assim como foi todo o primeiro ano dessa legislatura, onde pensava-se que vereadores e prefeito caminhariam juntos, mas já no início de 2025 a coisa começou a tomar outro rumo.
A própria administração de Egídio Ferrari (PL) não tem entregado o que a população esperava, muito pelo que herdou de Mário Hildebrandt (PL), que também parecia ser um aliado, mas acabou sendo escanteado pelo grupo que tem como mentor o ex-prefeito João Paulo Kleinubing (sem partido).
A CPI do Esgoto deve voltar a trabalhar já em fevereiro e cogita-se até em ouvir o atual prefeito, depois de já ter recebido João Paulo Kleinubing, Napoleão Bernardes (PSD) e Mário Hildebrandt.
Mas a aliança do governador Jorginho Mello com o prefeito Adriano Silva e com o partido Novo pode colocar uma pressão a mais em cima dessa CPI, já que o presidente é o vereador Diego Nasato (Novo), o que não se acredita que possa acontecer.
Enfim, Blumenau não passa por um momento político favorável e isso pode e deve impactar nas eleições de 2026. Hoje a cidade tem dois deputados federais e três deputados estaduais e a atual administração tem o carimbo do governador Jorginho Mello, que foi quem articulou a candidatura de Egídio Ferrari.
Se todos esses problemas vão ou não afetar o governador na sua reeleição em Blumenau não se sabe e só vamos saber no dia 6 de outubro, mas é fato que os opositores vão usar isso na campanha. O problema é que a oposição também está dentro do PL blumenauense, que está dividido em três pedaços e cada um puxando para um lado.





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