Da legislatura anterior para esta, tivemos apenas três novos vereadores e todos os demais sentiram na pela o modo de presidir a Casa de Almir Vieira (PP).
Almir nunca foi uma unanimidade e muitos reclamavam do modo truculento que ele agia na Câmara de Blumenau. Sempre se ouviu que poderia haver a rachadinha no legislativo de Blumenau, mas nunca ninguém conseguiu provar nada.
Até que em 2025, o ex-vereador Maurício Gol (PSDB) foi acusado dessa prática no tempo que passou na Câmara. Mas antes, em 2024, a Polícia Civil já investigava o vereador Almir Vieira depois que um ex-comissionado seu fez uma denúncia.
Da suposta rachadinha, que configuraria o crime de peculato, o inquérito se estendeu para um suposto caso de corrupção passiva e ativa e de lavagem de dinheiro por intermediar contratos entre empresas e a Prefeitura de Blumenau na administração do ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL).
Obviamente que tudo precisa ser provado e Almir terá direito a defesa na Justiça de Santa Catarina. Mas na Câmara de Blumenau, o clima não é favorável para ele e os outros vereadores já mostraram na segunda sessão do ano que ninguém vai aliviar para o presidente do PP municipal.
Almir Vieira já tinha sido acusado em 2012 de ter participado do famigerado caso do “Tapete Negro” durante a administração do ex-prefeito João Paulo Kleinubing, mas o caso prescreveu e só houve multa para alguns envolvidos.
Agora o clima é diferente e Almir Vieira não tem mais um grupo político, como tinha nos tempos de Hildebrandt, para trabalhar a seu favor nos corredores da Câmara e também no terceiro andar do Paço Municipal.
O pronunciamento marcante que mostra tudo isso foi o do 2º secretário da Mesa, vereador Egídio Beckhauser (Republicanos), que falou que o dia 3 de fevereiro de 2026 ficará marcado pra sempre na história política de Blumenau. Falou também que “hoje nessa tribuna não é lugar de discurso morno nem de conivência política. Hoje é dia de falar o que precisa ser dito, doa a quem doer”.
Egídio chegou a mencionar o que sempre se ouvia nos corredores. “Blumenau viu um vereador desta casa ser preso, acusado com base em investigação policial, de envolvimento em rachadinha, corrupção, lavagem de dinheiro, conforme declarado pelo delegado responsável pelo caso. E isso não é fofoca de corredor, isso não é intriga política, isso é prisão e investigação criminal, é vergonha, constrangimento, desconforto… essa casa não pode ficar em silencio pra não ser acusada de cumplice da degradação moral política… ninguém pode fingir que nada aconteceu presidente… mandato popular não é escudo para práticas suspeitas, cadeira nessa casa não é esconderijo. A Comissão de Ética existe exatamente para isso; para proteger a instituição, não o indivíduo, repito, não o indivíduo”.
Então, é assim que o pedido de cassação protocolado pelo ex-promotor Odair Tramontin (Novo) começará a ser analisado. O vice-presidente da Câmara, Diego Nasato (Novo), chegou a dizer que realmente esse caso será analisado politicamente, pois a análise jurídica caberá ao Judiciário.
No fim, Egídio Beckhauser usou justamente uma frase dita por Almir Vieira na legislatura passada sobre os moradores de rua. “Parafraseando um nobre colega desta casa, se tá bom vai trabalhar; se tá doente, vai se tratar; e se roubou, tem que ser preso”.
Como já disse o saudoso árbitro de futebol de Blumenau, Mozar Badia, “a vingança é um prato que se come frio”.
Veja o pronunciamento de Egídio Beckhauser (Republicanos):





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