A cassação de Jorge Seif pode mudar a estratégia dos partidos na eleição de 2026

A partir das 19 horas desta terça-feira, 10, o julgamento do senador Jorge Seif (PL) irá reiniciar no plenário do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília.

A ministra Carmen Lúcia é quem dará o prosseguimento a sessão que vai julgar o recurso no processo de pedido de cassação do senador catarinense por um suposto abuso do poder econômico.

Esse processo já era para ter sido julgado em 2024, mas o TSE entendeu que era necessário aprofundar as investigações e adiou o caso. O Ministério Público Eleitoral deu parecer favorável à cassação de Seif e de seus suplentes.

Só que na última sessão, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Bravo Barbosa, pediu a mudança da decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), que defende a cassação de toda a chapa de Seif.

A sessão de hoje deve começar com o voto do ministro Floriano de Azevedo Marques, que é o relator do caso.

O comentário em Brasília é que o julgamento está mais pela cassação do que para a absolvição, só que uma manobra regimental pode novamente adiar o desfecho final. Um dos ministros pode novamente pedir vistas e aí não saberemos quando tudo isso pode acabar.

Mas o mais provável é que se tenha um resultado ainda em fevereiro e aí a dúvida é saber se haverá uma nova eleição nos próximos 60 dias, se haverá a nova eleição em outubro junto com a eleição nacional ou se a vaga cairá no colo do ex-governador Raimundo Colombo (PSD), que ficou em segundo lugar em 2022.

A política catarinense entrou em modo de atenção máxima e a possibilidade de retomada do julgamento de Seif no TSE faz com que os partidos fiquem atentos por conta do surgimento de uma terceira vaga para o Senado.

Isso provocaria novos cálculos e articulações para as eleições de 2026 em Santa Catarina. Se Jorge Seif for absolvido, nada muda e as atuais negociações seguem. Mas se Seif for cassado, muito provavelmente os maiores beneficiados são o presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima (PT), e o senador Esperidião Amin (PP), que quer uma reeleição.

As últimas pesquisas mostraram que Carlos Bolsonaro (PL) e Caroline de Toni (PL) são os favoritas para se elegerem ao Senado em 2026, mas Décio e Amin são os próximos da escolha do eleitor, que vão lutar por uma boa coligação para ficarem com a vaga de Seif.

Mas Raimundo Colombo também vai lutar pela vaga, já que ficou em segundo lugar na disputa em 2022. Mas é pouco provável que consiga, tamanha é a pressão do Governo Federal em favor de Décio e do Centrão, que quer a volta de Amin.

A decisão sobre a vaga de Seif ao Senado envolve até o MDB, que já recebeu o convite do PSD para colocar o deputado estadual Antídio Lunelli como vice de João Rodrigues para confrontar com Adriano Silva, que será vice de Jorginho Mello (PL) e também é do norte do Estado, e Esperidião Amin e mais um emedebista ao Senado.

Mas Amin ainda nutre um suspiro de esperança de estar na chapa do governador Jorginho Mello (PL) para fazer uma dobradinha com Carlos Bolsonaro e se alimentar do voto bolsonarista.

No entendimento do presidente Assembleia Legislativa, deputado Júlio Garcia (PSD), “Se o João Rodrigues chegar ao segundo turno contra Jorginho, o jogo recomeça. A polarização ainda tem muita força, em especial aqui no Estado, mas também existe um crescente anseio por uma opção de centro-direita”.

Mas o MDB catarinense, que desembarcou recentemente do Governo do Estado, adiciona ainda mais incertezas ao cenário, mantendo sua tradição de tomar decisões somente aos 49 minutos do segundo tempo.

Por ora, o único consenso é que muita água ainda vai passar sob a ponte Hercílio Luz até setembro e os políticos mais experientes ainda se baseiam na frase dita por Magalhães Pinto, onde “política é como nuvem: você olha, está de um jeito; cinco minutos depois, está de outro”.

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