Na primeira sessão do ano do Congresso Nacional o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), precisou de apenas 7 segundos para aprovar o requerimento de urgência do Projeto de Lei 179/2026, de autoria da Mesa da Câmara e com um parecer favorável do relator, deputado Alberto Fraga (PL-DF).
O único partido que votou contra foi o Novo, mas a esquerda e a direita se uniram em um “grande lobby” para fazer passar essa vergonha sem ter uma previsão orçamentária numa economia que, em 2025, teve um déficit primário de R$ 60 bilhões. O presidente Lula (PT) pode vetar tudo isso, mas ainda assim o Congresso pode derrubar o veto.
Essa nova proposta estende aos servidores da Câmara a chamada Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), que já havia sido aprovada para os servidores do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Esse benefício aumenta em até 77% a remuneração desses servidores. Um consultor legislativo, por exemplo, ganha hoje no topo da carreira o valor de R$ 13,7 mil e passa para R$ 24 mil. O pior é que esses servidores terão o benefício de, a cada 3 dias trabalhados, eles ganham 1 de folga, criando o mês de 40 dias pagos ou a escala 3 por 1.
Se o servidor não tirar os 10 dias de descanso durante o mês, ele recebe esse valor extra em dinheiro. Foi criado também um bônus de produtividade de 100%, fazendo que o funcionário público do Congresso dobre o seu salário, chegando até R$ 77 mil por mês.
Isso dá 66% acima do teto do funcionalismo público, que hoje é de R$ 46.366,19. Nessa toada, os diretores da Câmara e do Senado passariam a ganhar mãos que um deputado federal e um senador.
Para piorar, esse pacote pode criar também mais 17 mil cargos públicos, com impacto fiscal estimado já para 2026 de R$ 4,3 bilhões. Nos próximos dez anos, esse valor atingirá a bagatela de mais de R$ 45 bilhões só com salários.
A FARRA DO FUNCIONALISMO PÚBLICO
Hoje, a elite do funcionalismo público ganha muito mais que o setor privado, que é quem banca toda essa farra.
De acordo com o Banco Mundial, quando comparado funcionários em cargos semelhantes e com a mesma escolaridade, o funcionário público ganha 96% a mais que o funcionário da iniciativa privada.
A média de diferença em todo o mundo é de 21% a mais para o funcionário público e dos 53 países que o Banco Mundial analisou, o Brasil ficou em primeiro lugar.
O estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), conhecido como Atlas do Estado Brasileiro, mostra que de 2002 a 2022, o salário médio do setor público cresceu 73% e na iniciativa privada cresceu apenas 5%.
Isso mostra que não falta dinheiro no Brasil para investimento e tudo mais, mas sim vontade política para fazer a coisa certa. O sistema só funciona para quem está dentro dele e resta para quem está fora pagar essa conta.
Enquanto a população continuar colocando a culpa nos ricos e nos empresários, que geram empregos, renda e pagam a maior parte dessa farra, e não reagir contra isso, os políticos continuarão fazendo o que bem entende com o dinheiro arrancado do bolso do brasileiro tosos os meses.





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