Hoje, a música mais tocada em Blumenau é a Happy Nation (Ace of Base – 1992). Foi esse o nome escolhido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) para investigar o suposto crime de peculato (rachadinha), lavagem de dinheiro e corrupção passiva, que envolve o vereador Almir Vieira (PP), que na terça-feira, 10, pediu 15 dias de licença para tratar da saúde.
Ninguém dançou ainda porque o pedido de cassação de Almir, protocolado na Câmara Municipal pelo ex-promotor Odair Tramontin (Novo), está na fase inicial, mas a maioria dos vereadores de Blumenau já mostram que a cassação é o caminho mais lógico.
O problema é que, cassando Almir, ele pode não querer carregar esse fardo sozinho e muita gente da administração do ex-prefeito Mário Hildebrandt, que é quando tudo aconteceu, já busca conselhos com advogados na cidade.
COLCHA DE RETALHO
O PL blumenauense está dividido em vários pedaços e todos já trabalham para que Mário, que hoje é o secretário de Estado da Defesa Civil e será candidato a deputado estadual em 2026, seja colocado no meio desse emaranhado de contradições.
O principal político que já abriu fogo contra Hildebrandt foi o deputado estadual Ivan Naatz (PL), mas o prefeito Egídio Ferrari (PL), que é do grupo do ex-prefeito João Paulo Kleinubing (sem partido), também já lavou as mãos sobre a administração anterior.
O presidente do legislativo de Blumenau, vereador Aílton de Souza (PL), já mostra que é favorável à cassação de Almir Vieira e que Mário Hildebrandt também não é a sua prioridade política. Com isso, o governador Jorginho Mello (PL) pode receber alguns respingos de tudo isso, já que o PL pode ser o acusado e o acusador ao mesmo tampo.
Na operação de Blumenau, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão na cidade e também em Balneário Camboriú, Itapema e em Videira. A polícia encontrou dinheiro vivo na casa do vereador e foi apreendida uma arma de fogo na casa de outro investigado.
Como parte das medidas cautelares autorizadas pelo Judiciário, foi determinado o sequestro de bens dos envolvidos e a apreensão de veículos de luxo para assegurar a reparação de danos ao erário, caso as suspeitas sejam confirmadas no final do processo.
CRICIÚMA TAMBÉM FERVE

Nas duas últimas semanas a Prefeitura de Criciúma foi alvo de cinco operações do Gaeco e do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Só na terça-feira, 10, foram deflagradas duas operações simultâneas contra supostos crimes contra a administração pública.
Ambas se referem a contratos públicos iniciados em 2018 pela administração municipal nos mandatos do ex-prefeito Clésio Salvaro (PSD).
Ao todo, foram cumpridos 36 mandados de busca em apreensão em residências e repartições públicas. Durante uma das operações uma pessoa foi presa em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
A “Operação Varredura” investiga um suposto esquema de fraudes em licitações e contratos de limpeza urbana. Nesta ação, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em Criciúma, Balneário Rincão e Forquilhinha, em Santa Catarina, e também em Curitiba, no Paraná.
As apurações indicam a participação de agentes públicos e empresários nos supostos crimes de direcionamento de licitação, favorecendo algumas empresas.
As investigações mostram também indícios de conluio entre empresas concorrentes, formação irregular de consórcios, sobreposição de contratos e pagamentos indevidos.
Também foi identificada a assinatura recorrente de contratos emergenciais sem respaldo fático ou jurídico, o que pode ter causado prejuízos significativos aos cofres públicos.
OPERAÇÃO SKYFALL
A “Operação Skyfall” busca apurar a prática de crimes contra a administração pública, direcionamento de contratos e favorecimento indevido de empresas de tecnologia em geoprocessamento e soluções cartográficas, bem como empresas do setor de engenharia de sistemas.
Nesta operação, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nas cidades de Criciúma, Nova Veneza e Balneário Rincão.
Diante de tudo que já foi analisado, a Polícia diz que supostamente um agente público fraudou licitações e contratos administrativos, ao permitir a contratação de empresa da qual era sócio oculto.
As condutas, conforme apurado, teriam se repetido em ao menos quatro ocasiões, com a consequente prorrogação dos contratos. A apuração mostrou também que uma das empresas envolvidas foi rapidamente contratada pelo município, logo após a sua criação, para executar serviços cartográficos, apesar de não possuir, na época, estrutura, equipe ou capacidade técnica compatível com o trabalho contratado.





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