O carnaval se resumiu a homenagem para Lula na Marquês de Sapucaí

Pois bem, no campo político, nos quatro dias de carnaval só se ouviu falar da Acadêmicos de Niterói, que disputou pela primeira vez o grupo especial do Rio de Janeiro, homenageando o presidente Lula (PT) na Marquês de Sapucaí.

Muitos políticos e partidos entraram com ações na justiça eleitoral, mas ninguém conseguiu impedir o desfile porque os ministros do TSE entendem que não se pode penalizar o que ainda não aconteceu, dizendo que seria censura prévia de uma suposta propaganda eleitoral antecipada favorecendo um pré-candidato a presidente da República que durante 70 minutos ficou em evidência na maior rede de televisão do país, tendo a sua trajetória enaltecida e a do seu maior adversário ridicularizada.

Mas tem mais, a Embratur, em parceria com o Ministério da Cultura, destinou R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial para a promoção turística do Carnaval 2026.

O mais engraçado é que em 2022 o ministro Alexandre de Moraes, quando presidia o mesmo TSE, proibiu o Governo Federal, que tinha na presidência Jair Bolsonaro (PL), de fazer uma campanha publicitária sobre os 200 anos da Independência que tinha o slogan “O futuro escrito em verde e amarelo” alegando que havia“viés político da campanha, conforme se extrai de vários trechos das peças publicitarias”.

No seu despacho, Alexandre de Moraes escreveu que “Trata-se de slogans e dizeres com plena alusão a pretendentes de determinados cargos públicos, com especial ênfase às cores que reconhecidamente trazem consigo símbolo de uma ideologia política, o que é vedado pela Lei eleitoral, em evidente prestígio à paridade de armas”.

Em 2006, a escola de samba Leandro de Itaquera, de São Paulo, levou para a avenida um samba exaltando a despoluição do Rio Tietê, que era um dos programas do então governador Geraldo Alckmin (PSDB). A escola fez também um carro com três caciques dos tucanos e entre eles estava Alckmin, que naquele ano era candidato a presidente da República.

O PT então entrou na justiça eleitoral, pasmen, tentando barrar o desfile da escola dizendo que era propaganda eleitoral antecipada naquele carnaval. Naquele ano o TSE também não achou que era propaganda pró-Alckmin e liberou o caso.  

Obviamente que esse desacordo entre dois ministros do mesmo Tribunal deixa claro que cada um tem uma interpretação diferente da mesma lei e que, depois de oito anos de polarização, até o judiciário pode acabar no banco dos réus.

Nunca na história desse país viu-se duas correntes políticas levarem o país para um buraco tão fundo, mas só vamos ver acontecer algo de concreto quando soubermos quem será o presidente da República para os próximos quatro anos.

Até lá, será mais do mesmo e muita coisa vai acabar sendo decidido por um judiciário que se mostra cada vez menos isento e imparcial.

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