Alguém acredita que Almir Vieira não será cassado com tudo que aconteceu na última sessão?

O vereador Diego Nasato (Novo), que foi o primeiro a se pronunciar abertamente sobre o caso do vereador Almir Vieira (PP), já tinha dito que o possível processo de cassação não seria jurídico, mas sim político.

Almir, quando foi presidente da Casa por dois anos, deixou muita gente descontente e, como dizia o falecido árbitro Mozar Badia, “vingança é um prato que se come frio”.

Dito e feito, Almir Vieira deixou uma porta destrancada e seus desafetos, que não são poucos, aproveitaram para arrombá-la.

Corre na justiça um processo que acusa o vereador do PP de peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. No dia que a Polícia Civil bateu na sua casa e no seu gabinete, o vereador ficou preso no 23º BI e só saiu depois que pagaram a fiança. Ele teme uma quantia de dinheiro e alguns bens apreendidos e vai ter que se defender.

Mas na Câmara, 12 dos 15 vereadores trabalham no pedido de cassação, protocolado pelo ex-promotor Odair Tramontin, com muito cuidado para não deixar nenhuma brecha jurídica.

A vereadora Silmara Miguem (PSD) deu o melhor caminho das pedras para seguir com o rito dentro da Câmara. A Procuradoria-geral analisou e ficou definido que o caminho mais adequado era usar o Decreto de Lei Federal 201/67.

No seu artigo 5º, a lei diz que se deva formar uma Comissão Processante, composta por três vereadores escolhidos por sorteio, que vão conduzir os trabalhos. Com isso, ficou descartado o Conselho de Ética para investigar o caso.

Antes do sorteio para saber quem iria comandar a Comissão, foi votado a admissibilidade ou não do pedido de Cassação. Dos 15 vereadores, o presidente Aílton de Souza (PL) não votava e o placar acabou com 10 votos favoráveis, 2 abstenções (Alexandre Matias e Marcelo Lanzarin) e apenas 1 voto contrário, do vereador Jovino Cardoso Neto (PL)

O mais engraçado é que justamente Jovino, lá em junho de 2023, também recebeu a visita da Polícia Civil na sua casa e na casa de dois assessores por conta de um processo, que segue em segredo de justiça, que o acusava de suposta rachadinha.

Na época, o delegado André Beckman (Decor), responsável pelas diligências, não deu mais detalhes porque o inquérito ainda não estava concluído.

Mas o placar da votação mostrou que 11 vereadores já têm claro na cabeça o que querem neste caso, 2 vereadores não querem se comprometer e apenas 1 defende abertamente o parceiro.

Com um saquinho na mão, foram sorteados os nomes dos vereadores Egídio Beckhauser (Republicanos), que será o presidente; Jean Volpato (PT), que será o relator; e o vereador Bruno Cunha (Cidadania), que ficou como membro.

Essa composição não é nada favorável para Almir Vieira, que terá que ter uma defesa muito boa para não ter um relatório que o enquadre na falta de decoro parlamentar.

Enfim, a Câmara de Blumenau talvez seja o menor dos problemas para Almir, pois a Polícia Civil já mostrou que tem muito material em mãos e o Judiciário, se tudo for realmente comprovado, pode pesar a mão para cima do ainda vereador de Blumenau.

O pior é que, se for condenado, Almir Vieira corre o risco de até perder a aposentadoria que tem do Exército, pois os militares, na maioria dos seus julgamentos internos, não admitem de jeito nenhum a desonra da farda.

Mas tudo ainda são apenas suposições de processos que estão no seu início. Mesmo assim, será um ano difícil para o presidente do PP de Blumenau, que terá muito trabalho para mostrar que “não houve qualquer prática ilícita e que a verdade não tene investigação e será reestabelecida”, como escreveu na sua nota oficial.  

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