Assessoria de Lula entende que o desfile da Acadêmicos de Niterói foi um erro

O presidente Lula (PT) está Nova Delhi, na Índia, participando do fórum empresarial Brasil–Índia, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

Lá, ele comentou sobre a homenagem que recebeu da escola de samba Acadêmicos de Niterói dizendo que “não foi o carnavalesco” e não interferiu no desfile.

O Governo Federal liberou, através da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e do Ministério da Cultura, R$ 12 milhões para as 12 escolas de samba do Rio de Janeiro do grupo Especial (R$ 1 milhão para cada escola).

A homenagem fez com que partidos de oposição fizessem um grande barulho entrando com ações no Tribunal Superior Eleitoral dizendo ser campanha eleitoral antecipada, já que o presidente vai buscar a reeleição em 2026.

Para assessores e políticos do PT, essa movimentação foi um erro do ponto de vista político. Lula já tem 54% de desaprovação e ainda foi visto num camarote da Sapucaí aplaudindo a ala “Família em conserva”, onde colocaram evangélicos em latas de conserva, acabou prejudicando ainda mais a imagem do presidente.

A cereja desse bolo veio quando a Acadêmicos de Niterói acabou sendo rebaixada para a segunda divisão do carnaval carioca por fazer o pior desfile de 2026 do grupo Especial.

Marqueteiros dizem que um em cada quatro eleitor é evangélico e esse desfile irritou justamente aquele eleitor que o presidente precisa conquistar. O pior foi que a ala da “conserva” criou para a oposição, sem que eles fizessem força, um mote para mostrarem que eles são os representantes daquela fatia do eleitorado que está indecisa.

O marqueteiro Marcelo Vitorino comentou sobre o assunto, dizendo que “se não dá voto, não faça. Se tira voto, fuja desse tipo de situação”.

O pior, para os analistas, é que Lula só veio comentar sobre esse assunto nesta semana, lá na Índia, quando foi questionado. O silêncio, muito provavelmente orientado pela sua comunicação, acabou criando um vaco, deixando o espaço para que os bolsonaristas usassem a mídia para potencializar o assunto.

Enfim, o que era para ser apenas uma homenagem, seja planejada ou não pelo Governo, acabou se transformando num tiro que saiu pela culatra.

A estratégia agora é criar novos assuntos para que o eleitor esqueça o desfile do Carnaval e se concentre apenas em temas como a possível aprovação no Congresso do fim da Escala 6 X 1 ou na aprovação de programas assistencialistas que impactam justamente na camada mais pobre da população.

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