O dilema do MDB nacional e a incerteza do MDB de Santa Catarina

Depois de ser preterido pelo governador Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina, o MDB parece tentar de qualquer jeito encontrar um novo caminho para não perder novamente o rumo numa eleição estadual.

O partido está fazendo 15 encontros regionais para saber se lança um candidato próprio ao Governo do Estado ou se aceita o convite do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), para compor a sua chapa como vice.

Até que isso não se define, o MDB Nacional tenta também de qualquer jeito se desvencilhar do Governo Lula (PT), descolando do partido a parceria de três anos que fez com a esquerda dentro do Congresso Nacional.

Na tarde de terça-feira, 3, na sede nacional do MDB em Brasília, o presidente Baleia Rossi recebeu das mãos do deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) um documento que mostra que 16 diretórios estaduais são contrários à articulação com o PT e a possível indicação de vice-presidente da chapa de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

A produção desse manifesto tem apoio dos diretórios estaduais do MDB do RS, SC, PR, SP, RJ, ES, MS, MT, GO, RR, AC, SE, TO, MG, AP e DF. Carlos Chiodini assinou o documento juntamente com a senadora Ivete Appel da Silveira.

O presidente do MDB de Santa Catarina, deputado federal Carlos Chiodini; a senadora Ivete Appel da Silveira e os deputados federais Valdir Cobalchini e Rafael Pezenti disseram que são favoráveis a neutralidade do partido nas eleições presidenciais de 2026.

Neste ano o MDB completa 60 anos de história na política nacional e, segundo a executiva estadual do MDB catarinense, a maioria do partido entende que é melhor ter autonomia para escolher as alianças.

“Cada Estado tem as suas particularidades, os emedebistas de Santa Catarina pensam diferente e é para respeitar as preferências de quem está conosco na base, que queremos independência e liberdade para decidir”, disse Carlos Chiodini, que também é vice-presidente nacional da sigla.

O MDB de Santa Catarina fala que tem um compromisso com a democracia, com o respeito à pluralidade de opiniões das lideranças e, principalmente, dos eleitores. “Nosso partido sempre foi o ponto de equilíbrio, sempre valorizou o diálogo e sempre buscou consenso nas discussões e projetos de interesse do povo brasileiro. Entendemos que as polarizações ideológicas e extremistas atrasam o desenvolvimento do nosso país, e por isso, queremos autonomia para lutar pelas pessoas com respeito as diferenças”, diz Chiodini.

Já Rafael Pezenti diz que não apoiou, não apoia e nem apoiará Lula nesta eleição. “Acredito que esse não é o melhor caminho para o Brasil avançar. A maior parte do MDB do Brasil não quer esse caminho. O presidente Baleia Rossi aceitou o documento assinado, entendendo que o melhor caminho é a independência para que a gente não cometa os mesmos erros do passado”.

Para o deputado federal Valdir Cobalchini, essa decisão converge com os anseios dos emedebistas catarinenses e mantém o partido na vanguarda da democracia.

Diante de muitas especulações sobre uma possível troca de partido, o deputado federal Rafael Pezenti (MDB) voltou a afirmar na terça-feira, 3, que não deixará o MDB e falou que tinha duas alternativas. “Eu tenho dois caminhos: ou mudo de partido, ou mudo o partido. Preferi ficar no MDB, pra ajudar a conduzir o time pra uma outra direção. Eu já venho alertando há muito tempo: ou o MDB se distancia dessa corja que tá no poder, ou em pouco tempo vai sumir do mapa”, disse Pezenti.

Ele fala que o momento exige clareza e definição. “O MDB não estará no projeto de reeleição do Lula. E esse é o primeiro passo pra nossa reconstrução”, concluiu o deputado.

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