O vereador de Florianópolis Gilberto Pinheiro, conhecido como Gemada, anunciou na semana passada a sua saída do PL e a filiação ao Podemos, num acordo entre o governador Jorginho Mello (PL), o prefeito Topázio Neto (Podemos) e a deputada federal Paulinha, que é a presidente estadual da sigla.
Na verdade Gemada está voltando para o Podemos, pois na sua primeira vitória para a Câmara de Vereadores, na eleição de 2020, ele estava no partido, onde se elegeu com 1.839 votos.
A intenção é fortalecer a nominata do partido, já que o Podemos foi o único partido da base de Topázio que não elegeu vereador e Gemada foi o vereador mais votado da Capital em 2024 (6.968 votos).
A ida dele também servirá para turbinar a pré-candidatura a deputado estadual do ex-chefe de gabinete do prefeito de Florianópolis, Fábio Botelho (Podemos).
A janela para a troca de partido dos atuais vereadores só vai se abrir em 2028, mas como houve a concordância do Partido Liberal, Gilberto Gemada aparentemente não corre o risco de perder o mandato.
O problema é que o primeiro suplente do PL sequer foi ouvido e nem comunicado. Este suplente tem forte ligação política com o deputado federal de Minas Gerais, Nikolas Ferreira.
PERIGO ELEITORAL 1

E justamente essa ligação com Nikolas Ferreira é que pode complicar a vida de Gemada, pois depois de 30 dias da mudança de partido, se o PL não se manifestar contrário, o próprio suplente pode reivindicar a vaga na Câmara Municipal.
Já é de conhecimento de todos no partido que há fortes divergências entre a ala de Flávio Bolsonaro e a ala de Nikolas Ferreira.
No início deste mês uma deputada federal de Santa Catarina filiada no PL reclamou da fala da vereadora de Biguaçu, Bia Borba, que questionou que até quando ela deve fidelidade ao bolsonarismo.
Além de Nikolas, ela tem como madrinha política a deputada estadual Ana Campagnolo e tem uma conta na rede social com 212 mil seguidores, o que faz dela um nome forte dentro do PL.
Nikolas pediu que ela se candidatasse a deputada federal em 2026, o que ainda não foi confirmado pelo PL catarinense, mas a deputada entendeu isso como uma traição, pois também apoiou ela em 2024.
E essa influência de Nikolas também pode fazer com que o suplente contrarie o PL de Florianópolis e vá reivindicar a vaga de Gilberto de Gemada na Câmara.
O deputado estadual Carlos Humberto (PL) também não gostou nada dessa ida de Gemada para o Podemos, pois o vereador faz parte do grupo de apoio do deputado e tem a sua irmã trabalhando no gabinete dele e agora terá que apoiar a pré-candidatura de Fábio Botelho em 2026.
Como Jorginho Mello tem apenas um controle parcial do PL em Santa Catarina, pois em muitas situações a ala bolsonarista já se rebelou contra ele, tudo pode acontecer, pois agora se cria também no PL a ala de Nikolas, que tem forte influência nos filiados mais jovens.
PERIGO ELEITORAL 2
Essa mesma situação aconteceu em Blumenau, pois o presidente da Câmara, vereador Aílton de Souza, que é pré-candidato a deputado federal, também deixou o PL pela falta de espaço e se filiou no Podemos.
Só que o primeiro suplente do PL é Norberto Ramalho, que hoje é assessor parlamentar do deputado estadual Ivan Naatz (PL), que não morre de amores por Aílton de Souza.
Outro ponto que pode complicar a vida do vereador é que foi ele que fez denúncias contra Ramalho quando ele estava no comando da Intendência da Vila Itoupava.
Essas denúncias foram levadas inclusive para o Ministério Público, o que acabou causando a exoneração de Norberto do cargo.





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