Como diz o ditado “antes só do que mal acompanhado”, mas tem outra frase muito usada que é “me diga com quem andas que te direi quem és”. As duas podem ser aplicadas ao atual prefeito de Blumenau.
Obviamente que não vou fazer aqui qualquer análise da pessoa de Egídio Ferrari, mas é difícil separar o delegado do prefeito, pois os gostos, as habilidades, as fraquezas e as competências fazem parte da mesma pessoa.
Quando eleito, todo muito colocou muita esperança no delegado que estava assumindo a Prefeitura, mesmo tendo falta de experiencia e conhecimento do poder executivo municipal. Além de delegado, Egídio tinha apenas dois anos de mandato de deputado estadual e nem se compara as obrigações do legislativo com o comando de uma Prefeitura.
Na política partidária, Egídio tinha poucos anos de vivência e já na primeira oportunidade de ser candidato, ainda no Podemos, levou uma rasteira de Mário Hildebrandt. Ele queria ser candidato a deputado estadual, mas Mário privilegiou seu fiel escudeiro André Espezim e Egídio conseguiria ser apenas candidato a deputado federal.
Então foi para o PTB a convite de Kennedy Nunes e se elegeu deputado estadual, devolvendo a rasteira em Mário, que não apostou no delegado.
Em 2024, Egídio tinha tudo alinhado com Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB, para ser o candidato a prefeito de Blumenau pelo partido, mas deu um cavalo de pau e foi para o PL para ser candidato a prefeito a convite do governador Jorginho Mello (PL).
A ironia do destino colocou Egídio Ferrari e Mário Hildebrandt no mesmo lado novamente e ambos venceram as eleições de 2024.
Agora, depois de um ano e quase quatro meses como prefeito, lembrei de uma entrevista que ele deu para um podcast quando falava da experiencia de ser delegado regional. Egídio falou “horrível, um ano e dois meses eu aguentei. Minha saúde mental foi a zero… Cara, não sei explicar, me deu até crise de ansiedade. Um negócio que não é minha praia, sabe um negócio de administrar gestão de pessoas que é horrível, gestão de servidor público que é muito horrível…”.
Hoje o delegado prefeito está recebendo críticas por não fazer uma boa administração municipal e por dividir o comando da cidade com o ex-prefeito João Paulo Kleinubing, que a cada dia que passa interfere mais na atual administração.
Então, Egídio não estaria tendo o mesmo sentimento do tempo em que foi delegado regional? Será que essa vocação de ser delegado de campo, de gostar mais da ação estaria criando uma certa ojeriza do momento atual?
Será que o homem Egídio Ferrari estaria se sentindo sufocado por toda a pressão que vem sofrendo de todos os lados.
Pressão da própria administração, pressão partidária, pressão de vereadores que só querem cargos, pressão de ter que trabalhar com gente que nunca imaginou trabalhar, pressão de ter que fazer concessões para situações que vão contra tudo aquilo que acredita e pregou nos tempos de delegado?
Enfim, é obvio que tem a parte boa de ser deputado estadual, de ser prefeito da sua cidade. Quem não aceitaria ser prefeito de Blumenau? Mas quando a coisa acontece e o ônus aparece e você vê que não vai poder fazer tudo que imaginava, o negócio que mudou a tua carreira acaba se transformando num farto difícil de carregar.
Um bom salário, muita popularidade e poder político as vezes não valem tanto quanto a correção, a justiça e a certeza de fazer a coisa certa.
Egídio parece ser uma pessoa que não tem estômago para lidar com gente duvidosa, mas parece também que é justamente isso que ele encontra todos os dias e a atual situação nos mostra que, se nada mudar nos próximos anos, teremos novamente um delegado em alguma delegacia de Santa Catarina.





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