Número do eleitorado 60+ cresceu 74% entre 2010 e 2026

Um levantamento inédito produzido pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o número de idosos aptos a votar no Brasil aumentou 74% desde as eleições de 2010.

Em números absolutos, a quantidade de brasileiros maiores de 60 anos que podem comparecer às urnas cresceu de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em março deste ano.

Se levarmos em consideração toda a população apta a votar no país, a taxa de crescimento foi de 15% no mesmo período.

Os números foram levantados em 1º de março e podem aumentar até o dia 6 de maio, prazo final para o cadastro de eleitores no TSE.  Até a data da coleta, 156,2 milhões de pessoas estavam aptas a participar do processo eleitoral em outubro. Em 2010, eram 135,8 milhões.

“Ao passo que a população brasileira envelhece, o contingente de eleitores 60+ cresce muito mais do que as demais faixas etárias. Na prática, nesta eleição poderemos ter 1 de cada 4 votos dados por pessoas com, pelo menos, 60 anos. São 36,2 milhões de eleitores nesta faixa etária, até março. Em um cenário de aguda polarização, em que a eleição de 2022 foi definida por menos de 2 milhões de votos de diferença de Lula para Jair Bolsonaro, conquistar o voto desse eleitor é mais do que estratégico”, afirma o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.

Dos 32,9 milhões de pessoas da Geração 60+ que poderiam votar em 2022, 21,6 milhões estiveram presentes no primeiro turno, o que dá uma taxa de comparecimento de 65,5%.

Se levarmos em consideração apenas os brasileiros de 60 a 69 anos, cujo voto ainda é obrigatório, esse percentual sobe para 85,7%.

O percentual é maior do que a média geral de comparecimento da população no primeiro turno das eleições passadas, quando 79,1% dos eleitores aptos a votar foram às urnas. Já entre os maiores de 70 anos, que o voto é facultativo, esse número cai para 41,1%.

O percentual de abstenção dos maiores de 60 anos também diminuiu nas últimas três eleições: eram 37,1% em 2014, 36,4% em 2018 e chegou a 34,5% em 2022. No mesmo período, as abstenções do eleitorado brasileiro em geral aumentaram residualmente de 19,4% em 2014 para 20,3% em 2018 e 20,9% no último pleito nacional.

Apesar de sustentar uma taxa de abstenção maior do que a média da Geração 60+, os brasileiros maiores de 70 anos também têm comparecido mais às urnas. Sem obrigatoriedade de voto, esse público registrou 63,6% de abstenção em 2014; 62,7% em 2018 e 58,9% em 2022.

Em números absolutos, foram 8,8 milhões de pessoas com mais de 70 anos que decidiram não votar nas últimas eleições.

“Sem o dever cívico do voto, os brasileiros com mais de 70 anos que participam das eleições o fazem por convicção ou identificação política. Esse público, assim como os jovens entre 16 e 18 anos, são os brasileiros a serem conquistados pelos candidatos. Eles não têm obrigação do voto, então só vão às urnas se tiverem um bom motivo pra isso. E no contexto brasileiro, de um cenário político acirrado, essas pessoas têm a possibilidade de mudar os rumos de uma eleição”, analisou Tokarski.

As regiões Sul e Sudeste se consolidam como principais polos da Geração 60+ nas eleições. Em todos os estados dessas regiões, no mínimo, 23% da base de votantes poderá ser composta por pessoas desse grupo nas eleições de outubro.

O Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional com 29,3%, seguido por Rio de Janeiro (28%) e Minas Gerais (26%).

Nos três maiores colégios eleitorais do país, um em cada quatro possíveis eleitores já faz parte da Geração 60+. Em São Paulo, eles representam 25% do eleitorado; em Minas Gerais, 26%; e no Rio de Janeiro, 28%. Somando apenas esses três estados, o número de eleitores de 60 anos ou mais chega a 16 milhões.

Na outra ponta, o Norte mantém perfil mais jovem, com média regional de 16,5% dos 60+ aptos a votar. O Amapá registra o menor índice nacional (14,5%), seguido por Amazonas (14,7%) e Roraima (15,4%). O contraste é nítido: o peso desse eleitorado no Sul pode chegar a representar quase o dobro do observado no Norte.

Entre 2010 e 2026, os maiores avanços reais na proporção dos 60+ aptos a votar ocorreram no Rio Grande do Sul (+11,2%), no Espírito Santo (+10,2%) e em Minas Gerais (+9,8%). Rio de Janeiro (+9,5%), São Paulo (+9,1%) e Santa Catarina (+9,1%) aparecem na sequência, indicando que a porcentagem aumenta em alguns dos maiores colégios eleitorais do país.

No período entre 2014 e 2022, o comparecimento dos 60+ nos pleitos nacionais cresceu em 21 estados, com destaque para o Maranhão (+9,3%), Amazonas (+8,6%) e Ceará (+8,1%).  Outras seis unidades registraram queda, com o recuo mais acentuado no Amapá (-14,7%).

Nas eleições de 2022, o grupo de 60 a 69 anos (ainda sob voto obrigatório) no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina registraram os maiores índices de comparecimento do país entre essa faixa etária:  89,5% e 89% de presença nas urnas, respectivamente. No extremo oposto, Alagoas e Acre apresentaram os índices mais baixos, ambos com 78,5%.

A dinâmica muda a partir dos 70 anos, quando o voto passa a ser facultativo. Nessa etapa, a média nacional de comparecimento cai para 41,1%, mas a abstenção é diversa por estado.

Distrito Federal e Roraima destacam-se pela alta mobilização voluntária, com 57,7% e 57,4% de votos no recorte, respectivamente. Na outra ponta, dois dos maiores colégios eleitorais, Rio de Janeiro (33,4%) e São Paulo (37,3%), registraram os menores índices de participação nessa faixa etária em 2022.

O número de candidatos com 60 anos ou mais também têm aumentado anualmente no Brasil, tanto nas eleições gerais quanto nas municipais. Segundo dados do TSE, nas últimas eleições, em 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60+ se candidataram aos cargos em disputa, o que equivale a 15% de todas as candidaturas.

O montante é o maior desde o início da série histórica, iniciada em 1998. O pleito anterior, em 2022, também registrou o recorde para eleições gerais: 4.873 candidatos com 60 anos ou mais, o que equivale a 17% das candidaturas.

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