O deputado federal Carlos Chiodini, presidente do MDB de Santa Catarina, se manifestou em carta, que foi enviada aos filiados, na manhã desta terça-feira, 28, sobre a reunião de prefeitos e parlamentares do partido com o governador Jorginho Mello (PL), que aconteceu na noite de segunda-feira em Florianópolis.
Já no início da carta, ele fala que “é hora de falar com clareza, sem rodeios e sem medo” e que “o momento que o MDB de Santa Catarina atravessa exige coragem, não silêncio”.
Ele fala que o MEB sempre foi grande porque pensava grande, mas que hoje os números mostram que a atual realidade do partido “não pode ser ignorada”. Ele lembra que nas eleições de 2018, com Mauro Mariani (MDB), e em 2022, apoiando Carlos Moisés (Republicanos), o MDB sequer foi para o segundo turno e isso reduziu o número da bancada na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
Então, Chiodini entende que o caminho natural do MDB é “a reconstrução com protagonismo: retomar o nosso espaço, organizar o partido, fortalecer lideranças e preparar o MDB para voltar à majoritária, mas não como coadjuvante”.
JORGINHO ESNOBOU O MDB
Na carta, o deputado federal comenta que o governador Jorginho Mello “esnobou” o partido quando decidiu trocar o MDB pelo prefeito Adriano Silva (Novo) na vaga de vice e que, ao invés de “se posicionar com firmeza, assiste à construção de um movimento conduzido por pessoas que, até ontem, não tinham qualquer compromisso com a nossa história”, se referindo as lideranças que organizaram a reunião de segunda-feira com o governador.
Chiodini fala que esse movimento tenta “empurrar o partido para uma aliança subordinada, baseada em interesses pontuais”.
Na carta, ele menciona o interesse do deputado estadual Antídio Lunelli, que foi convidado por Jorginho a ocupar a suplência de Carol de Toni (PL) na disputa pelo Senado.
O presidente do MDB diz que “isso não é estratégia. Isso é apequenamento”. Ele afirma que, enquanto for presidente do partido, o MDB não será figurante e não vai aceitar migalhas e que o partido “não nasceu para ser linha auxiliar de um governo que não nos respeita”.
DECLARAÇÕES FORTES
Desde que o governador Jorginho Mello anunciou que trocaria o MDB pelo ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), na vaga de vice-governador na sua chapa de reeleição, essa foi a primeira vez que o presidente emedebista Carlos Chiodini se posicionou com mais firmeza diante das ações de deputados estaduais e federais sobre a manutenção da aliança com o governador.
Chiodini entende que o momento é grave e que, se os parlamentares continuarem com esse tipo de conduta, o MDB corre o risco de se transformar num “partido fragmentado, de decisões isoladas, onde interesses individuais se sobrepõe ao projeto coletivo”, ou seja, “um partido que deixa de liderar para apenas acompanhar”.
No último trecho da carta ele fala que é preciso respeitar a decisão dos diretórios municipais, que votaram favorável a composição da chapa com o PSD e a Federação União Progressista (PP e União Brasil).
Mas também deixa um recado duro para quem organizou o evento de Florianópolis. “Aos líderes partidários que promoveram o episódio de ontem, deixo um alerta: se não enfrentarmos essa batalha hoje, em dois, quatro, seis anos, não teremos nada para disputar”.
Carlos Chiodini se refere ao projeto de Jorginho Mello, que colocou Adriano Silva de vice para entregar o governo ao partido Novo em 2030 para que o próprio Adriano seja o seu candidato a governador na outra eleição, deixando, mais uma vez, o MDB como um papel de coadjuvante.
Veja a carta de Carlos Chiodini (MDB):






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