Ricardo Salles diz que mudanças de partido não tem nada a ver com ideologia

O deputado federal por São Paulo, Ricardo Salles (Novo), que é pré-candidato ao Senado em 2026, deu uma entrevista para o podcast Iron Talks no último dia 21 e mostrou que partidos políticos buscam puxadores de voto muito por causa do Fundo Eleitoral.

Salles foi ministro do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e se diz um opositor ferrenho da esquerda brasileira, principalmente contra o PT e do presidente Lula.

Para Salles, “o Centrão é o câncer da política brasileira” e a qualidade dos políticos no Brasil vem piorando a cada eleição.

Segundo o deputado paulista, o PL é um partido que tem o DNA do Centrão com algumas pessoas de direita. Ricardo fala que Valdemar da Costa Neto coloca os bolsonaristas para puxar voto e, com uma legenda inchada, elege também os “valdemaristas” para ocupar as outras cadeiras. “Tá cheio de petista dentro do PL… os bolsonaristas estão fazendo filho na barriga dos outros. Nos estamos dando voto pro Valdemar pra ele encher os caras dele de Centrão”, afirmou Ricardo Salles.

Segundo dados da eleição de 2022, apenas 27 dos 513 deputados federais (Ricardo Salles está entre os 27) dependeram apenas do próprio voto para se eleger. Os demais entraram por causa da legenda do partido e de votos feitos pelos chamados “puxadores de voto”.

Segundo Ricardo Salles, a sua eleição em 2022 deu para o PL nacional cerca de R$ 80 milhões em Fundo Partidário. Ele se elegeu com 640.918 votos e, por conta da legenda, ajudou a eleger outros candidatos, o que conta para a divisão do dinheiro dos fundos dos partidos.

O deputado diz que a mudança de legenda para disputar uma eleição nunca teve nada a ver com ideologia, mas sim com verba para financiar a própria campanha.

Ricardo fala que os partidos sabem que os puxadores de voto vão trazer um certo valor para o partido em Fundo Partidário e Fundo Eleitoral.

Então, segundo Salles, os “caciques” que comando o partido oferecem para este candidato cerca de 10% desse montante mais uma verba extra para que ele se filie e dispute a eleição pelo seu partido.

“O cara escolhe os candidatos mais midiáticos e tal e fala assim: olha, eu te dou o teto para você fazer campanha, que acho que é R$ 4 milhões do Fundo Partidário… eu te dou o teto e te dou mais tanto por fora e os caras mudam de partido… Um cara que a candidatura dele vale R$ 50 milhões para o partido, você acha que o partido não investe 5 nele pra trazer o cara? É obvio, é uma coisa de matemática”, declarou o deputado paulista.  

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