Estratégia da defesa de Almir Vieira foi colocar o presidente da comissão no centro da denúncia

A Comissão Processante da Câmara de Blumenau ouviu na manhã desta segunda-feira, 4, as testemunhas de defesa do vereador Almir Vieira (PP) e o próprio vereador sobre a suposta quebra do decoro parlamentar.

Das nove testemunhas agendadas para serem ouvidas, uma não compareceu à sessão. Os depoimentos ocorreram no plenário, em reunião conduzida pelo presidente do colegiado, vereador Egídio Beckhauser (Republicanos).

A maioria dos ouvidos eram servidores do gabinete de Almir. Também prestou depoimento o ex-secretário municipal de Esportes, Paulo Roberto Mundt, o presidente da Associação de Veteranos do 23º Batalhão de Infantaria, Juliano Luiz Bilau, e o ex-diretor de comunicação da Casa, Wagner Schnaider.

Durante os depoimentos das testemunhas, Egídio Beckhauser advertiu o advogado de defasa para que ele se ativesse a quebra de decoro parlamentar. Segundo o advogado “desde o primeiro momento eu tenho vossa excelência como suspeito por uma inimizade patente com o vereador Almir… a defesa vai comprovar, quer seja hoje, quer seja no futuro na Justiça criminal, de que foi tudo uma construção, uma narrativa, para prejudicar o vereador Almir”.

Beckhauser afirmou que não é o alvo da investigação e que as alegações da defesa foram indeferidas pela Comissão e pela Justiça através da não aceitação da liminar para barrar o processo de cassação.

Mas o depoimento mais esperado era mesmo o do vereador afastado Almir Vieira. No seu depoimento, Almir afirmou que não tinha inimizade com o presidente da comissão, vereador Egídio Beckhauser.

Quando o vereador Jean Volpato (PT) perguntou sobre as buscas realizadas pela Polícia Civil no seu gabinete, Vieira disse que “fui dormir herói e acordei bandido”.

O vereador Bruno Cunha (Cidadania) perguntou sobre o dinheiro apreendidos na sua residência (R$ 30 mil) e Almir alegou que os recursos eram vindos da realização de feijoadas e que toda a movimentação financeira foi declarada no Imposto de Renda.

Já sobre a sua prisão no dia da deflagração da Operação Happy Nation, o vereador investigado disse que foi conduzido pela Polícia ao 23º Batalhão de Infantaria e depois ao gabinete para cumprimento de busca e apreensão.

Almir falou também que não tem inimizade com ninguém e que “eu não vim para esta casa para fazer amizade, eu vim para esta casa para defender o direito da população”.

No fim, o vereador Almir Vieira falou que “se tiver culpabilidade da minha parte, eu peço renúncia, eu peço renúncia. Não quero passar por isso que estou passando”.

Agora a defesa do vereador tem cinco dias para se manifestar e depois será marcada uma reunião com o relator do caso, vereador Jean Volpato (PT), para que apresente o seu relatório e, caso seja aprovado pela Comissão, ele vai para o plenário para ser votado pelos demais vereadores de Blumenau sobre a cassação ou não de Almir Vieira.

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