Podemos dizer que a administração pública de Blumenau tem mais competência que o SUS? Pois bem, pelo menos no que diz respeito a operações talvez sim.
Já tivemos a operação Soldo Inflado, operação Carga Oca, Operação Elysium, operação Publicis, operação na Secretaria de Comunicação e na manhã desta quarta-feira, 6, tivemos a operação Ponto Final.
Diferente do que possa parecer, essa não tem nada a ver com o transporte público, apesar da investigação ter no seu relatório possíveis irregularidades na construção de dois terminais urbanos de Blumenau.
Mas essa é mais uma operação no setor de obras da Prefeitura blumenauense que, segundo a 14ª Promotoria de Justiça, desde 2020 há um esquema de favorecimento de empresas com direcionamento de licitações, superfaturamento de contratos e pagamento de propina para funcionários públicos.
Em troca, esses funcionários maquiavam as fiscalizações com falsas medições, conseguiam aditivos para os contratos, faziam liberações de pagamentos e até conseguiam a manutenção desses contratos.
Só nessa operação Ponto Final a Polícia Civil realizou 50 mandatos de busca e apreensão em 16 cidades de Santa Catarina. Há indícios de fraude em contratos e utilização de empresas de fachada e uso de empresas formais para lavagem de dinheiro.
Enfim, essas acusações não são diferentes de outras operações, inclusive aquela que supostamente tem um vereador envolvido, e mostra que há anos Blumenau tem uma porteira arrombada que parece que nenhum agente público quis ou quer fechar.
Já perdemos a conta de quanto dinheiro já correu nesse ralo e até esse momento não vimos ninguém da parte de cima das últimas administrações públicas ser punido.
É fato que, para fazer qualquer “esquema” dentro de um governo, é necessário o envolvimento de quem tem o poder de apertar o botão. Não se frauda uma licitação sem que algum envolvido, pelo menos, faça “vista grossa” no processo.
Então, o caminho para evitar esse tipo de problema todo mundo já sabe qual é, pois é só envolver a justiça e a polícia na hora de escolher as empresas que nunca teremos uma operação policial na administração pública.
Mas a pergunta que fica é “porque não fazem o óbvio?”. Eu não posso responder por nenhum agente público, mas imagino que nenhum deles quer ter esse tipo de incomodação, até porque que, quem quer ter sobre si a dúvida da sua honestidade?
Por incrível que possa parecer, tem gente que nem se importa com isso e prefere mesmo se deleitar sobre as benesses de administrações públicas manchadas por investigações que, em sua maioria, não chegam na cabeça da serpente, não punem os mentores e não eliminam essa gente da vida pública.
Como dizia o apresentador Mário Motta, “vida que segue e vamos fazer uma ótima tarde”, pois parece que isso foi a única coisa que nos restou nesse momento.





Adicionar comentário