Até alguns anos atrás a política era dividida em feudos municipais, estaduais e nacionais, onde cada um tinha o seu comandante. Os interesses não se misturavam e numa eleição municipal, por exemplo, geralmente quem decidia quem seria o candidato e com qual partido ia se coligar era quase sempre um ex-prefeito ou um político influente no município.
Com a globalização, a grande influência das redes sociais e principalmente o surgimento da polarização, tudo virou uma coisa só e quando alguém no município, na capital estadual ou em Brasília faz alguma coisa que coloca em xeque a credibilidade, o escândalo atinge todo o partido.
Foi justamente isso que se viu nas três Operações Policiais do Gaeco que aconteceram em Blumenau, nas gravações de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro e na notícia de que Henrique Vorcaro, pai de Daniel, doou dinheiro para o diretório estadual do partido Novo de Minas Gerais em 2022.
No caso de Blumenau, o fato respingou no PL municipal e a maioria dos correligionários do ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL) foram para as suas redes sociais mostrar indignação para que o escândalo não respingasse neles, no partido e principalmente no governador Jorginho Mello (PL), que tinha contratado Hildebrandt para ser seu secretário de estado por mais de um ano.
Nos dois casos da família Vorcaro, a coisa foi mais devastadora, pois colocou em choque o PL e o partido Novo, que curiosamente são parceiros em Santa Catarina para a disputa ao Governo do Estado.
Neste caso, Zema criticou Flávio Bolsonaro que foi defendido por parlamentares catarinenses do PL que chegaram a pedir o cancelamento da parceria. O Novo estadual tratou de soltar uma nota dizendo que a crítica de Zema foi pessoal e que não concordava com as palavras dele, gerando um desconforto na executiva nacional.
Membros do PL de Santa Catarina criticaram Zema e o Novo de Minas Gerais pelo recebimento do dinheiro e o Novo catarinense se manteve em silencio, sem defender o seu pré-candidato a presidente.
Agora, Romeo Zema chega em Santa Catarina no domingo, 17, à noite para cumprir uma agenda por algumas cidades do Estado e participar de um evento em Florianópolis.
Toda essa saia justa obrigou o governador Jorginho Mello ir até Joinville para almoçar com o ex-prefeito Adriano Silva (Novo) para mostrar que essa “briga” não abalou as estruturas da parceria.
Essas situações mostraram que qualquer escândalo ou conduta fora da linha vai atingir todo mundo e quem não tiver o controle total do seu partido, pode ser atacado até pelos seus pares, que vão usar o fato para ganhar likes e seguidores nas redes sociais.
A polarização pauta a globalização e tudo vai ser usado para diminuir o adversário e até o correligionário. Nos casos em que políticos vão disputar o mesmo cargo, e o lema “farinha pouca, meu pirão primeiro” será o mote da eleição.
Então, o partido ou o presidenciável que tiver mais força virtual, leva não só a eleição, mas também a maioria dos cargos e, consequentemente, mais poder num Brasil que parece estar à beira da histeria.





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