Quando Blumenau começou a mudar?

Blumenau sempre foi uma cidade com a imagem de um lugar de gente que trabalhava muito, vivia bem, tinha uma boa educação, era a primeira no esporte, se destacava na comunicação e não elegia político que não estivesse alinhado com a cidade.

Desde José Henrique Flores Filho, que administrou a cidade de 1883 a 1887 como presidente da Câmara Municipal, até 100 anos depois, no fim do mandato do prefeito Dalto dos Reis, em 1988, Blumenau sempre teve na Prefeitura um administrador que vivia aqui, morava aqui e conhecia os problemas daqui.

Mas tudo começou a mudar quando o blumenauense elegeu, na eleição de 1988, o prefeito Vilson Kleinubing, que já sabia que ficaria no cargo por apenas um ano e meio porque já tinha planos de se lançar como candidato a governador em 1990.

Desde então, a cidade começou a conviver com pequenos escândalos, como o da Empresa Cavo. Já na segunda gestão do prefeito Renato Vianna, Blumenau poderia ter visto por aqui a implantação do Parque Beto Carrero, que está em Penha, e do Parque Unipraias, que está em Balneário Camboriú.

Eles não ficaram aqui porque os políticos locais entenderam que não era interessante dar incentivos econômicos para duas coisas que julgaram ser pouco importantes para a cidade.

Na eleição das 1996, as duas maiores forças políticas do município acabaram matando uma a outra e entregaram a Prefeitura de Blumenau para o petista Décio Lima.

Foram oito anos de uma administração controversa, com escândalos e algumas CPIs que não vingaram por conta de uma Câmara de Vereadores que se ajoelhou e decidiu apenas aceitar o novo normal que Blumenau vivia na política local.

Depois vieram mais oito anos da administração de João Paulo Kleinubing, que enfrentou a maior catástrofe climática já vista em Blumenau, mas que foi ofuscado, no apagar das luzes daquela gestão, pelo escândalo político chamado de “Tapete Negro”.

Em seguida veio Napoleão Bernardes, que era visto como um menino da cidade que poderia fazer diferente, mas que, para muitos, ficou marcado mesmo por ter entregado o transporte público municipal para uma empresa que mais ganhou do que ofereceu e vai ficar por aqui, pelo menos, até 2037.

Napoleão saiu para ser candidato a vice-governador em 2018 e deu a chave de Blumenau nas mãos do seu vice, Mário Hildebrandt, que ficou como prefeito até 31 de dezembro de 2024. Nestes seis anos e sete meses, aconteceram nada menos do que 11 Operações Policiais na sua administração, onde pelo menos sete ex-secretários municiais ligados a ele são hoje citados em investigações na Justiça.

Por fim, a cidade elegeu o delegado Egídio Ferrari, que foi escolhido pelo governador Jorginho Mello para representá-lo na eleição de 2024. Ele assumiu em janeiro de 2025, mas até esse momento tem uma administração considerada fraca e tem apenas tentado apagar o incêndio deixado pelo ex-prefeito, que é seu companheiro de partido e ajudou muito na sua vitória nas urnas.

O que teremos daqui para frente ainda não sabemos, pois a cidade tem uma oposição pequena, uma maioria que está mais preocupada em se eleger do que mudar os rumos da política local, e partidos políticos que não criam condições para o surgimento de uma nova liderança capaz de convencer o eleitor que vale a pena apostar no novo.

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