Partido Novo e PL se uniram para cassar o vereador do PL de Joinville

A grande ironia do destino é que Cleiton Profeta (PL) assumiu pela primeira vez a cadeira na Câmara de Vereadores de Joinville, em 2023, porque o vereador Maurício Peixer, que era suplente de deputado estadual, teve que assumir a vaga do deputado estadual Estêner Soratto (PL) que foi comandar a Casa Civil do Governo do Estado.

Na eleição municipal de 2024, Cleiton Profeta conseguiu se eleger vereador e passou a ser o grande opositor da administração do ex-prefeito Adriano Silva (Novo).

Até o fim de 2025, o PL de Joinville era oposição da administração municipal, mas como o governador Jorginho Mello (PL) já tinha a intenção de trazer o Novo e principalmente Adriano Silva para o seu lado, o PL joinvilense precisava que o vereador Profeta parasse com as críticas e acusações contra o prefeito.

Como ele não obedeceu, o presidente municipal do PL, Maurício Peixer, que foi quem abriu espaço para Profeta inicial a sua carreira política, decidiu abrir um processo interno disciplinar para expulsar o vereador do partido.

Como o PL não teve êxito na sua ação, no início de 2026 o partido Novo municipal e estadual entrou com uma denúncia na Câmara Municipal contra Profeta por “quebra de decoro parlamentar motivada por supostas ofensas verbais proferidas contra outros vereadores, provocação de tumultos durante as sessões plenárias e por relatos de suposto avanço físico contra outro integrante do parlamento”.

Em março deste ano, a Câmara Municipal aceitou, por 14 fotos favoráveis e 2 contrários, a denúncia e o processo se arrastou até a segunda-feira, 8, quando o vereador Cleiton Profeta (PL) foi cassado pelos seus pares.

Outro ponto curioso é que também em janeiro deste ano o governador Jorginho Mello desistiu do MDB e anunciou o ex-prefeito Adriano Silva como o seu novo vice na busca da sua reeleição.

A sessão ocorreu sob forte clima de mobilização popular e as galerias do Plenário foram tomadas pelo público, muitos deles apoiadores de Cleiton Profeta, que acompanharam os trabalhos portando cartazes e fazendo muito barulho com as “vuvuzelas”.

O mandato do vereador Cleiton Profeta foi cassado com 13 votos favoráveis, 3 vereadores preferiram se abster e curiosamente os dois outros vereadores do PL na casa votaram pela absolvição.

Votaram pela cassação os vereadores Alisson (Novo), Érico Vinicius (Novo), Neto Petters (Novo), Vanessa Venzke Falk (Novo), Adilson Girardi (MDB), Henrique Deckmann (MDB), Pelé (MDB), Kiko da Luz (PSD), Pastor Ascendino Batista (PSD), Mateus Batista (UB), Liliane da Frada (Podemos), Lucas Souza (Republicanos) e Vanessa da Rosa (PT).

Os vereadores Instrutor Lucas (PL) e Wilian Tonezi (PL) votaram pela absolvição e se abstiveram da votação os vereadores Brandel Junior (Republicanos), Diego Machado (PSD) e Tânia Larson (UB). Cleiton Profeta (PL) não votou por ser o acusado.

Com a cassação, Profeta deve também perder os direitos políticos por oito anos, mas a sua defesa já anunciou que vai para a Justiça requerer a anulação do processo e pleitear um retorno de Profeta às funções parlamentares.

Até lá, quem fica com o lugar de Cleiton Profeta na Câmara de Joinville é o suplente Cassiano Ucker (PL), que recebeu 3.017 votos nas eleições de 2024.

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