Quando será desvendado o mistério da concessão do sistema de esgoto de Blumenau?

No início dos anos 2000 Blumenau começou a discutir uma possível concessão do sistema de esgoto de Blumenau, mas até 2004, quando o prefeito era Décio Lima (PT), a cidade não evoluiu na implantação da rede, ficando com os quase 5% que foram feitos na administração de Renato Vianna (PMDB).

Mas em 2005, João Paulo Kleinubing (PFL) assumiu a administração da cidade e começou a estudar modelos para voltar a investir no sistema de esgoto de Blumenau.

Em 2010, a conceção foi aprovada e o Consórcio Saneblu, que tinha as empresas Foz do Brasil S/A, Odebrecht Engenharia S/A e Engeform, venceu a licitação de concessão para coleta e tratamento de esgoto sanitário em Blumenau pelos próximos 35 anos (até 2045).

Mas o contrato já começou com vícios, pois a Prefeitura de Blumenau tinha que entregar para a empresa 23,2% de rede de coleta de esgoto, mas entregou apenas 4,95%, ficando uma defasagem de 18,36%, que segundo o prefeito João Paulo seriam implantados através de convênios federais (Pac e Funasa).

A empresa reclamou de possíveis desequilíbrios financeiros pela defasagem de rede e, ao longo de 15 anos, a AGIR (Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí) recomendou a liberações de 5 aditivos contratuais.

Este último 5º aditivo resultou numa CPI na Câmara de Vereadores que detectou muitas inconsistências. Uma delas foi que a AGIR cometeu possíveis omissões na fiscalização do contrato, do cumprimento dos acertos regulatórios e no acompanhamento dos serviços executados.

Outro ponto destacado foi que em 2023, na gestão do prefeito Mário Hildebrandt (PL), era para ser aplicado uma redução na tarifa de 2,63%, mas não foi dado porque a Prefeitura de Blumenau, Agir e BRK acertaram que seria aplicado na revisão extraordinária que estava prevista no 5º aditivo.

Este 5º aditivo foi formatado ainda na gestão de Mário, em 2024, mas ele foi assinado só em abril de 2025 quando o prefeito já era Egídio Ferrari (PL). Esse aditivo permitiu que a tarifa de esgoto sofresse um reajuste extraordinário de 10,72%, além da reposição da inflação de 5,2%.

Além disso, a BRK Ambiental poderia coletar o esgoto através de 60% rede e os outros 40% seriam feitos através de caminhão pipa, onde o morador da cidade pagaria mensalmente por esta coleta sem que ele pudesse escolher outra empresa para fazer o serviço.

O 5º aditivo também extendeu o contrato da Prefeitura de Blumenau/Samae com a BRK Ambiental até 2064, 19 anos a mais do que o contrato original.

Diante da repercussão, em maio do mesmo ano, Egídio revogou o 5º aditivo dizendo que, entre outras coisas, a BRK “obteve uma vantagem financeira sobre o contrato de aproximadamente R$ 27 milhões decorre da má execução ou inadequação das obras de implantação de rede e esse fator foi considerado na hora de calcular a tarifa cobrada dos usuários na 3ª tarifária, em 2022”.

Fato é que lá em 2010, quando o contrato iniciou, era para ser cobrado 98% do valor da conta do consumo de água, mas já na assinatura do 2º termo aditivo, em 2012, no apagar das luzes da administração de Kleinubing, a cobrança já passou para 110% do valor da taxa de água e hoje o blumenauense já paga 120% do valor da conta de água.

O relatório da CPI do Esgoto fez com que o Ministério Público abrisse uma investigação sobre tudo que aconteceu ao longo dos anos, mas até agora, a única coisa que sobrou para o morador da cidade foi a conta, que todo mês chega na casa dele sem falha nenhuma.

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