ENTREVISTA – PRISCILA ANDRADE – Candidata à presidência do Crea/SC

REPÓRTER – Como a senhora define o peso e a ações de entidades como o Confea, o Crea e a Mútua para o cidadão comum?

PRISCILA ANDRADE – O propósito central desse Sistema é funcionar como um escudo para a sociedade. Sempre que um projeto, seja uma grande obra ou um simples laudo técnico, é conduzido por alguém devidamente habilitado, nós entregamos segurança e responsabilidade à população. O gargalo é que essa engrenagem só é eficiente quando acompanha a evolução do mercado e deixa de ser puramente burocrática. Por serem entidades públicas com forte impacto social, o CREA e o Confea têm a obrigação de agir de forma muito mais eficiente, transparente e rastreável.

REPÓRTER – Olhando para a rotina de quem atua na área, qual deve ser o papel do Crea/SC?

PRISCILA ANDRADE – O Conselho precisa urgentemente deixar de ser visto apenas como um órgão punitivo ou de arrecadação. Ele tem que ser uma ferramenta de apoio. Na prática, isso significa garantir segurança jurídica, acabar com as idas e vindas de processos burocráticos, defender o nosso mercado de trabalho e estabelecer regras claras. O profissional quer olhar para a anuidade que paga e enxergar um retorno palpável: agilidade, respeito e suporte. A base do meu projeto é muito clara: a máquina tem que girar a favor de quem está trabalhando lá na ponta.

REPÓRTER – Há uma visão muito focada na Engenharia Civil quando se fala no Sistema. Como a senhora enxerga as outras categorias?

PRISCILA ANDRADE – Esse é um ponto crucial. Nós não somos feitos apenas de engenheiros. Temos sob o nosso guarda-chuva uma enorme diversidade de carreiras e modalidades tecnológicas, e todas precisam ser tratadas com o mesmo peso. Minha meta é acabar com qualquer tipo de desequilíbrio, onde o Sistema presta mais atenção a um setor do que a outro. Valorizar o profissional passa, obrigatoriamente, por respeitar essa pluralidade e fortalecer toda a cadeia técnica do nosso estado.

REPÓRTER – Na sua visão, qual é o maior obstáculo para que o profissional se sinta valorizado no mercado de trabalho?

PRISCILA ANDRADE – O maior entrave é o abismo que existe entre a bolha do Sistema e a rua. Hoje, a pessoa paga suas taxas, assina as Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs), assume riscos altíssimos, mas não sente que o Conselho está lutando pelo seu espaço com a mesma proporção. Valorização não pode ser só uma palavra bonita em época de eleição. Ela exige o combate duro ao exercício ilegal, a organização estrutural do mercado e uma atuação firme para que as empresas deixem de enxergar o engenheiro ou técnico como uma “despesa” que pode ser cortada.

REPÓRTER – O piso salarial é um dos problemas reclamados pela categoria. Qual a sua estratégia para defendê-lo?

PRISCILA ANDRADE – Vamos atacar em duas frentes simultâneas. A primeira é um monitoramento implacável de contratações públicas, editais e modelos de remuneração que tentam driblar a nossa legislação. A segunda é uma mudança de postura do próprio CREA: precisamos mostrar ao mercado que responsabilidade técnica não é um “puxadinho” ou improviso. É inadmissível que o profissional seja doutrinado a agradecer quando recebe apenas o piso. Nós não vamos brigar só pelo mínimo. O objetivo é reposicionar o valor do trabalho técnico para que a remuneração justa volte a ser o padrão.

REPÓRTER – O modelo de fiscalização recebe críticas. O que mudará se a senhora for eleita?

PRISCILA ANDRADE – A palavra de ordem é inteligência. Vamos implementar uma fiscalização guiada por dados e mapeamento de riscos, que de fato abra portas de trabalho para quem atua dentro da lei. Estamos em 2026, é surreal que o processo ainda não seja totalmente digitalizado. De nada adianta falar em inovação operando com processos travados. Um bom trabalho de fiscalização não se resume a sair distribuindo multas. Trata-se de usar tablets, integrar sistemas e saber exatamente onde os leigos estão atuando de forma ilegal. Quando a gente fiscaliza com tecnologia e rigor, a gente tira o irregular de cena e devolve a vaga para o profissional qualificado.

REPÓRTER – Como a senhora pretende conduzir o diálogo com as entidades de classe catarinenses?

PRISCILA ANDRADE – Com previsibilidade, respeito e parceria técnica. Entidade de classe não serve só para montar evento e tirar foto. Elas são a ponte direta com as necessidades dos profissionais. O que eu proponho é uma relação de trabalho conjunta, onde as entidades tenham clareza das regras do jogo e saibam como transformar essas alianças com o CREA em benefícios concretos e defesas de mercado para os seus associados.

REPÓRTER – Alguns profissionais dizer que o Crea/SC é distante. Como mudar essa visão?

PRISCILA ANDRADE – Saindo dos gabinetes e indo para o mercado real. O Conselho tem que ir até as regiões, falar a mesma língua de quem está na obra, no campo ou na indústria, e resolver os problemas com celeridade. A minha trajetória é a do mercado privado, não sou fruto de articulações internas do Sistema. Venho da iniciativa privada, onde quem não entrega resultado, não sobrevive. Quando um conselho não entende as dores reais do seu próprio público, ele perde a sua razão de existir. Nós seremos um CREA acessível, prático e muito próximo.

REPÓRTER – Todo candidato fala em inovação. De forma objetiva, como isso será aplicado?

PRISCILA ANDRADE – Para mim, inovação não é enfeite; é o que resolve problemas de gestão. Ela vai aparecer na simplificação imediata dos nossos processos, na rastreabilidade das análises, na eliminação de burocracias inúteis e no reforço da segurança digital. O CREA trabalha com um volume imenso de dados sigilosos e de alta responsabilidade. Portanto, inovar também é blindar nossos sistemas, implementar processos de auditoria transparentes e usar as melhores ferramentas para que o profissional confie no serviço que está acessando.

REPÓRTER – E quanto à Mútua, qual o papel dessa instituição na sua visão de gestão?

PRISCILA ANDRADE – A Mútua não pode continuar sendo vista como um apêndice ou puxadinho institucional. Ela é parte fundamental de uma engrenagem que precisa desenvolver e amparar o profissional. Para isso, os programas de capacitação e os benefícios oferecidos precisam estar conectados com os problemas reais de quem está trabalhando. A dinâmica entre CREA, Confea e Mútua só terá sucesso quando o profissional olhar para os três e perceber que o ecossistema tem utilidade na vida e na carreira dele.

REPÓRTER – Por que o profissional deveria dedicar seu tempo para votar nessas eleições?

PRISCILA ANDRADE – Porque, se ele não votar, outras pessoas vão decidir por ele. As eleições do Sistema ditam o valor da sua anuidade, como o seu espaço no mercado vai ser defendido, o nível da fiscalização e o peso das suas atribuições. Ignorar a eleição é perigoso, pois conselhos sem a participação de sua base tendem a se isolar da realidade. Ao votar, o profissional retoma as rédeas da instituição, exige transparência e escolhe de forma legítima o futuro da sua profissão.

REPÓRTER – Para finalizar, qual a sua mensagem para a engenharia, agronomia e as geociências de Santa Catarina?

PRISCILA ANDRADE – O recado é claro: eu venho da mesma trincheira que vocês. Eu sei o peso de pagar anuidade, de depender da profissão para viver e de sentir que o Conselho muitas vezes virou as costas para nós. Sei também as barreiras que uma mulher precisa derrubar para conquistar espaço através de muita competência técnica e resultados. Minha candidatura é fruto direto da minha indignação: o CREA-SC pode ser muito mais do que é hoje. Nós merecemos um Sistema transparente, justo, que nos dê suporte e que justifique cada centavo investido. Quero proteger a sociedade, sim, mas quero, sobretudo, honrar e defender quem faz a engenharia de verdade acontecer. Os profissionais representados pelo CREA precisam mostrar sua indignação, querer de fato a mudança que sonhamos e ela só vai acontecer se houver mobilização dia 3 de julho. A votação é online, rápida e fácil. É um passo fundamental para mudarmos nossa representação, que está nas mesmas mãos há 18 anos. Dia 3 de julho, pela anuidade de R$ 250, vote na Prysky.

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