Câmara de Florianópolis deve abrir uma CPI para apurar as acusações da Operação Backstage

Na manhã de terça-feira, 23, a 1ª Delegacia de Combate à Corrupção da DEIC deflagrou a Operação Backstage na Secretaria Municipal de Assistência Social de Florianópolis.

Diante da repercussão do caso, vereadores, tanto da situação como da oposição, já se movimentam para instalar uma CPI na Câmara de Vereadores da Capital para também apurar os fatos.

Segundo a Polícia Civil, essa operação é um desdobramento direto da Operação Pecados Capitais que apura um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações e organização criminosa na Secretaria de Assistência Social.

Entre os alvos estão pessoas que ainda estão na administração de Topázio Neto (Podemos) e pessoas que já deixaram os cargos. Nesta fase da Operação Backstage, sete pessoas foram alvos do Ministério Público e entre elas estariam a secretária Municipal de Licitações, Contratos e Parcerias, Katherine Schreiner; Anibal Gonzales, que é ex-secretário adjunto de Assistência Social; o também ex-secretário de Assistência Social, Leandro Lima, que é o presidente da ONG que administra a Passarela da Cidadania; e Jeferson Melo, que foi secretário-adjunto da Assistência Social na administração de Gean Loureiro (UB).

Jeferson Melo já tinha sido preso em 2024 na deflagração da Operação Pecados Capitais. As Associações Alberto de Souza, Nurrevi (Núcleo de Recuperação e Reabilitação de Vidas) e Aminc (Instituto Amor Incondicional) também estão sendo investigada.

Em junho de 2025 a Prefeitura de Florianópolis firmou um primeiro Termo de Colaboração com a Associação Alberto de Souza no valor de cerca de R$ 3,3 milhões para um período de 90 dias.

Depois disso foi assinado um novo contrato, com duração de um ano, no valor de pouco mais de R$ 21 milhões, que hoje está na mira da Deic.

As investigações mostram que todo o problema aconteceu na Passarela da Cidadania e no Restaurante Popular, onde teria-se direcionado contratos para as empresas investigadas e, com isso, haveria desvio de recursos em favor de alguns servidores e pessoas que participaram da contratação.

A Polícia Civil diz que, para garantir que a entidade investigada vencesse o edital, pareceres falsos foram emitidos para desclassificar outras duas organizações sociais que cumpriram todas as exigências do edital.

O prefeito Topázio Neto não comentou o fato e a Prefeitura de Florianópolis diz que “aguarda informações para tomar as medidas necessárias. A administração pública informa ainda que colabora com a polícia civil por meio da Controladoria Geral do Município”.

É sabido que as pessoas em situação de rua vem sendo o calcanhar de Aquiles da atual administração e que agora a Secretaria de Assistência Social chama a atenção não só da Polícia Civil e Ministério Público, mas principalmente dos vereadores, que pensam na eleição de 2028 e também a de 2028.

Todos os vereadores, principalmente os da situação, temem que a cobrança popular seja muito forte caso a CPI não seja instalada na Câmara de Florianópolis.

Alguns vão disputar a eleição de 2026, como o presidente da Casa, vereador João Cobalchini (MDB), e a maioria deve buscar a reeleição em 2028 e não querem ficar com a mancha de não terem, pelo menos, investigado e mostrado para a população o que vem acontecendo nessa área.

Veio a lembrança de muitos legisladores a Operação Presságio, que iniciou com a investigação de crimes ambientais por parte da Concap, mas acabou pegando um grande desvio de recursos públicos na Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis, que usava como pano de fundo os termos de fomento firmados entre a municipalidade e organizações da sociedade civil.

Segundo a fala do vereador Afrânio Boppré (Psol) na sessão de terça-feira, a vereadora Carla Ayres (PT) já tinha entrado, há um ano, com um pedido de CPI para investigar os supostos problemas na Secretaria de Assistência Social de Florianópolis, mas tem apenas 5 das 8 assinaturas necessárias.  

Ainda não se tem a garantia que a CPI deva acontecer, mas se sair das gavetas do legislativo, a oposição já mostrou que o principal alvo é o prefeito Topázio Neto.

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