Michelle Bolsonaro pode mudar o jogo na eleição presidencial de 2026

Neste momento, o Brasil se divide em Copa do Mundo, pré-eleição, a esquerda de novo manchando a sua imagem, frio intenso e mãe Bahiana prevendo a chegada de alienígenas nos Estados Unidos e levando o Neymar sabe-se lá para onde.

No meio de tudo isso aparece Michelle Bolsonaro postando um vídeo de quase 30 minutos falando da sua relação com os filhos do seu marido e ex-presidente, em especial Flávio Bolsonaro, que é o pré-candidato a presidente do Partido Liberal.

Desde que lançou a sua pré-candidatura, o filho 1 de Jair Bolsonaro não tem tido vida fácil, pois os áudios enviados para Daniel Vorcaro mostram que não só a esquerda, mas também a direita, tem registros importantes no celular mais valioso da nação.

Mas voltando para Michelle, a movimentação dela traz à tona a escolha errada feita por Jair quando decidiu que Flávio seria o candidato do seu partido. A direita queria Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tinha a aprovação não só do PL e do bolsonarismo, mas também do Centrão, que via nele um candidato moderado.

Mas Jair Bolsonaro viu que Tarcísio, se eleito, poderia ter muito apoio popular e acabaria criando o “Tarcisismo”, o que colocaria o Bolsonarismo no ostracismo. Então o candidato do PL teria que ter o nome Bolsonaro e Flávio, por mais ser comedido que Carlos, foi o anunciado.

Deixaram Michelle de fora pela inexperiência e pelos números de uma pesquisa que, naquele momento, indicavam que ela não teria chances contra Lula (PT).

Só que ela conseguiu trazer para o lado dela uma legião de mulheres, não só do PL, que juntas podem rearranjar as melancias dentro da carroça da direita brasileira.

O Centrão, com toda a sua sagacidade, sabe que seus candidatos sozinhos não conseguem descolar o eleitor bolsonarista da pré-candidatura de Flávio.

Nessa matemática, sabemos que Lula tem cerca de 40% dos votos por ter a máquina na mão. Flávio tem cerca de 30% do eleitorado. Mas Flávio tem uma rejeição de 52% e Lula vem em segundo, com 47%.

Os outros candidatos da direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeo Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), mesmo com uma baixa rejeição, não passam dos 4% da intenção de voto, indicando que, individualmente, eles não são competitivos para desbancar o candidato do PL.

Isso mostra que os chamados “terceira via” veem seus votos represados em Flávio Bolsonaro e é aí que entra Michelle Bolsonaro.

Então, se Michelle conseguir fazer com que a ala feminista compre a narrativa dela, mostrando que Flávio a desrespeitou, que é machista e que os filhos de Bolsonaro traíram o próprio pai, os votos que hoje estão com Flávio podem começar a migrar para um outro candidato da direita e ele passa a ser mais competitivo para derrotar Lula muito por conta da baixa rejeição.

Essa é uma situação que nem Lula e nem a esquerda querem que aconteça, pois se o presidente da República conseguir manter a rivalidade com a família Bolsonaro, ele sabe que tem mais chance de continuar no poder.

Mas se a disputa passa a ter um terceiro nome que possa representar os anseios dos fora das bolhas, aí o caldo pode entornar não só para Flávio, mas também para o Luiz Inácio.

Ou seja, Ronaldo Caiado, Romeo Zema e Renan Santos estão comemorando essa briga familiar e vão fazer de tudo para que isso se arraste até o dia 4 de outubro.

Mas alguém imagina que tudo isso aconteceu por acaso? Obviamente que não, pois em política, o acaso é apenas uma pequena fração do jogo e todo o resto tem cálculo, estratégia e muitos interesses.

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