Discurso de Lula teve críticas a Jorginho Mello e insinuação que catarinense é racista

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esteve no litoral norte de Santa Catarina na sexta-feira, 26, para visitar os estaleiros de Itajaí e Navegantes que estão construindo embarcações de apoio marítimo para a Petrobrás.

Mas as suas falas contra o governador Jorginho Mello (PL) e contra o catarinense chamaram mais a atenção do que o assunto principal da visita.

No seu discurso, o petista disse estar “indignado” com as ausências do governador do Estado, Jorginho Mello (PL), e do prefeito de Itajaí, Robison Coelho (PL).

Ele disse que “o governador, que eu não sei nem o nome dele, não teve nem coragem de comparecer em nenhum evento do Governo Federal. E todos são convidados”.

Mesmo estando há quase quatro anos no Palácio do Planalto, Lula mostrou que ainda não esqueceu o ex-presidente Jair Bolsonaro e deixa claro que também não aceita quem está com ele.

Na sua fala, o presidente Lula condenou o racismo e classificou essa atitude como “síndrome de grandeza”. Ele disse ter orgulho de ser nordestino e falou que fez mais por Santa Catarina do que qualquer governador catarinense.

“Não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não podem permitir que aqui as pessoas sejam tomadas pela síndrome de grandeza, porque esse estado é muito rico, não é pobre”, afirmou Lula.

 Ele defendeu que todos devem ser tratados de forma igual, independentemente de cor ou origem. “Não tem o cara que, porque é branco, é melhor do que o que é negro. O cara que é nordestino não é pior do que qualquer um no sul do país. Que história é essa?”, questionou o presidente.

Ele também classificou como “hegemonia da ignorância” a suposta ideia de superioridade de uma região sobre as demais. “Na verdade, isso não é hegemonia branca, é hegemonia da ignorância. Por isso eu tô aqui, orgulhosamente. Sou pernambucano, sou nordestino”.

Quem também discursou foi o ministro dos Transportes, George Santoro, que confidenciou que Jorginho Mello recusou uma parceria com o Governo Federal de R$ 24 bilhões para execução de vários projetos em Santa Catarina.

De acordo com o ministro, essa mesma parceria foi feita com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e lá resultou num investimento no Estado de R$ 110 bilhões em obras.

Diante da declaração de Santoro, Lula aproveitou para criticar Jorginho Mello.

“Aqui a proposta era fazer um projeto de R$ 24 bilhões, ele simplesmente não participou pra fazer parceria com o governo federal. Qual é o tamanho da cabeça desse cidadão? Qual é a qualidade da massa encefálica que ele tem na cabeça? É de se pesquisar. Porque o ser humano não pode ser pequeno a ponto de não privilegiar os interesses do povo de Santa Catarina”, disse o presidente.

E disse mais. Lula falou “o que eu fico indignado é a falta de respeito de um governador de estado que não participa de nada que o governador federal faz aqui”.

No fim do discurso do ministro George Santoro, Lula pegou o microfone e perguntou: “Você disse que vocês procuraram o governador para fazer projetos aqui, de quanto? Vinte e quatro milhões?”.

Depois da concordância de Santoro, o presidente quis saber qual teria sido o argumento e George respondeu que “não teve argumento. Ele simplesmente não quis fazer parceria. Foram projetos iguais no governo do Paraná. Nós fizemos seis leilões no governo do Paraná. Os dois projetos estavam juntos no mesmo período, e a gente teve que refazer os projetos, por isso demorou tanto”.

Em seguida, Lula e aliados fizeram o descerramento da placa de inauguração do lote 2 da duplicação da BR-470 e o presidente cobriu com a mão o nome do governador Jorginho Mello.

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