Mais um governador deixa as obras da barragem de José Boiteux para a eleição

A Barragem José Boiteux foi inaugurada em 1992 como o maior reservatório do sistema de contenção de cheias do Vale do Itajaí. A obra afetou profundamente a Terra Indígena Laklãnõ Xokleng, inundando cerca de 870 hectares de terras férteis e gerando um histórico de conflitos, desassistência e ocupações.

O problema começou da gestão do governador Vilson Kleinubing (PFL) e passou pelas gestões de Paulo Afonso Vieira (PMDB), Esperidião Amin (PP), Luiz Henrique da Silveira (PMDB), Raimundo Colombo (DEM), Carlos Moisés da Silva (PSL) e agora a bomba está nas mãos de Jorginho Mello (PL).

O atual governador se elegeu prometendo resolver o impasse e fazer as obras necessárias para que a barragem voltasse a funcionar. Em outubro de 2023 o Vale do Itajaí passou por mais uma enchente e, mais uma vez, estava tudo encaminhado para que tudo fosse resolvido.

Naquela enchente, a barragem de José Boiteux só funcionou porque o ex-vereador de Blumenau, Carlos Wagner, se uniu a outros empresários da cidade e colocaram dinheiro do próprio bolso para fazer a comporta se movimentar para segurar o volume de água para que a enchente não fosse pior do que foi.

Depois disso, já pensando na sua reeleição, Jorginho entendeu que poderia usar a obra de José Boiteux para se beneficiar e começou a cometer erros que a natureza não vai perdoar.

Colocou o ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (PL), como secretário da Defesa Civil, mesmo ele não entendendo bulhufas sobre a pasta que administrou até abril deste ano.

Talvez o ápice do acúmulo de erros tenha acontecido na quarta-feira, 8, quando Jorginho Mello foi visitar a barragem para inspecionar o início de uma obra, que segundo o Governo do Estado está orçada em pouco mais de R$ 9 milhões.

Lá o governador foi abordado por um grupo de indígenas que, segundo ele, reivindicam mais coisas além do já acordado e querem usar o momento para “fazer média para se eleger”.

Faro é que os meteorologistas estão prevendo muita chuva para os próximos meses e nada garante que essa barragem vai estar pronta para ser usada, caso ocorra uma nova cheia no Vale do Itajaí.

Uma sequência de decisões erradas, mais uma vez, coloca em risco mais de 1,5 milhão de moradores da região do Vale do Itajaí, que até está acostumada a passar por esse tipo de problema, mas gostaria muito que a política fosse deixada de lado e que as obras da barragem não servissem apenas como trampolim eleitoreiro, mas sim como uma solução para salvar vidas e evitar que muita gente perdesse os seus pertences.

Adicionar comentário

Clique aqui para adicionar um comentário

Acompanhe

Entre em nosso grupo do Whatsapp e nos siga em nossas redes

Patrocinadores