Operações do Gaeco mostram que uma investigação de corrupção levam a muitas outras

Na última terça-feira, 7, o Gaeco deflagrou a Operação Pão e Circo em 18 cidades do Planalto Norte de Santa Catarina e também em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

As investigações mostraram um suposto esquema de reserva de mercado e fraude em licitação na contratação de shows para eventos municipais. A principal empresa investigada é a Spinelli Produções, de Clemir Spinelli, que mora em Itapema.

Nessa Operação, o prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL), foi afastado do cargo e a empresa DCX Eventos, do vereador Carlos Eduardo Cunha (MDB), de Indaial, também está sendo investigada.

Mas essa investigação só teve origem depois da delação premiada do ex-secretário de Administração e Finanças de Canoinhas, Diogo Seidel, lá em 2021, quando o Gaeco tinha deflagrado a Operação “Et Pater Filium”.

A primeira fase da Et Pater Filium investigou irregularidades na cidade de Major Vieira, onde estavam envolvidos o prefeito Orildo Servegnini (MDB) e seu filho, que era servidor público, e um empresário e o seu filho.

A polícia descobriu direcionamento de editais com a inclusão de cláusulas restritivas em licitações de transporte escolar, pavimentação asfáltica e compra de maquinários para favorecer empresas parceiras.

A delação premiada de Diogo Seidel também desencadeou a Operação Mensageiro, que prendeu em Santa Catarina 45 pessoas preventivamente, entre elas 17 prefeitos, onde alguns já renunciaram ou foram destituídos de seus cargos.

Na sua delação premiada, Diogo chegou a confidenciar para os policiais que conseguir ganhar uma licitação para fazer eventos nas cidades investigadas era muito difícil para a empresa que não fizesse parte do grupo. Segundo ele, era “quase como ganhar na Mega Sena”.

Inicialmente, Seidel entregou para a justiça uma quantidade considerável de material que mostrava como tudo acontecia nos supostos crimes das Operações Et Pater Filium e Mensageiro, mas o Gaeco começou a separar também provas de algo que acabou chamando a atenção dos policiais.

Um dos materiais mostrava que a empresa SP Eventos Ltda., que José Clemir Spinelli tinha antes da Spinelli Eventos, venceu as licitações de 2017, 2018 e 2019 para realizar a Festa Estadual da Erva-Mate (Fesmates), de Canoinhas.

Diogo Seidel chegou a relatar também que Spinelli disse para ele que tinha “ajudado financeiramente” os agentes públicos de Canoinnhas para conseguir fazer a festa na cidade.

Então, as investigações da Fesmates levaram o Gaeco a analisar também outros contratos de da empresa de Clemir, que acabou chegando em outras empresas de eventos que foram ligadas as festas de mais 17 municípios de Santa Catarina e 1 do Rio Grande do Sul.

Como a pandemia de 2020 fez a Prefeitura de Canoinnhas cancelar a sua festa, Spinelli passou a fazer, a partir de 2021, o evento de Natal do município.

Ele negociou uma parceria com uma empresa de decoração, dizendo que ficariam com 15% do valor da licitação, que era de aproximadamente R$ 30 mil, e o restante “voltaria para a prefeitura”.

Para evitar pagar muitos impostos sobre o valor, ele usou a contabilidade C & M como fachada para a prestação do serviço de iluminação, o que acabou arruinando a organização do evento, gerou muita raiva no então secretário Diogo Seidel e fez com que o contrato não fosse cumprido integralmente. Spinelli também acabou vendendo máscaras para a cidade de Canoinhas durante a pandemia num contrato que teve dispensa de licitação.

Desde a deflagração da Operação Et Pater Filium, em 2020, o Judiciário catarinense já prendeu 30 prefeitos no exercício do mandato. Isso dá pouco mais de 10% de todas as 295 cidades do Estado. A prisão mais recente foi a do prefeito Tiago Baltt (MDB), do Balneário de Piçarras, que foi levado para o presídio de Itajaí no dia 19 de maio deste ano por conta de uma operação que investiga fraude e corrupção em obras públicas. Veja abaixo a lista dos 30 prefeitos presos desde o ano de 2020.

  1. MAJOR VIEIRA – prefeito Orildo Antônio Severgnini (MDB) – Operação Et Pater Filium;
  2. BELA VISTA DO TOLDO – prefeito Adelmo Alberti (PSL) – Operação Et Pater Filium;
  3. CANOINHAS – prefeito Beto Passos (PSD) – Operação Et Pater Filium;
  4. PESCARIA BRAVA – prefeito Deyvisonn Souza (MDB) – Operação Mensageiro;
  5. PAPANDUVA – prefeito Luiz Henrique Saliba (PP) – Operação Mensageiro;
  6. LNEÁRIO BARRA DO SUL – prefeito Antônio Rodrigues (PP) – Operação Mensageiro;
  7. ITAPOÁ – prefeito Marlon Neuber (PL) – Operação Mensageiro;
  8. LAGES – prefeito Antônio Ceron (PSD) – Operação Mensageiro;
  9. CAPIVARI DE BAIXO – prefeito Vicente Corrêa Costa (PL) – Operação Mensageiro;
  10. TUBARÃO – prefeito Joares Ponticelli (PP) – Operação Mensageiro;
  11. CORUPÁ – prefeito Luiz Carlos Tamanini (MDB) – Operação Mensageiro;
  12. IBIRAMA – prefeito Adriano Poffo (MDB) – Operação Mensageiro;
  13. MAJOR VIEIRA – prefeito Adilson Lisczkovski (Patriota) – Operação Mensageiro;
  14. MASSARANDUBA – prefeito Armindo Sesar Tassi (MDB) – Operação Mensageiro;
  15. IMARUÍ – prefeito Patrick Corrêa (Republicanos) – Operação Mensageiro;
  16. TRÊS BARRAS – prefeito Luiz Shimoguri (PSD) – Operação Mensageiro;
  17. BELA VISTA DO TOLDO – prefeito Alfredo Cezar Dreher (Podemos) – Operação Mensageiro;
  18. SCHROEDER – prefeito Felipe Voigt (MDB) – Operação Mensageiro;
  19. GUARAMIRIM – prefeito Luiz Antônio Chiodini (PP) – Operação Mensageiro;
  20. SÃO JOÃO DO ITAPERIÚ – prefeito Clézio José Fortunato (MDB) – Operação Mensageiro;
  21. BARRA VELHA – prefeito Douglas Elias Costa (PL) – Operação Travessia
  22. PONTE ALTA DO NORTE – prefeito Ari Wollinger (PL) – Operação Limpeza Urbana;
  23. URUSSANGA – prefeito Gustavo Cancellier (PP) – Operação Terra Nostra;
  24. IPUAÇU – prefeito Clori Peroza (PT) – Operação Fundraising;
  25. COCAL DO SUL – prefeito Fernando de Fáveri (MDB) – Operação Fundraising;
  26. IPIRA – prefeito Marcelo Baldissera (PL) – Operação Fundraising;
  27. PINHALZINHO – prefeito Mario Afonso Woitexem (PSDB) – Operação Fundraising;
  28. CRICIÚMA – prefeito Clésio Salvaro (PSD) – Operação Caronte;
  29. GAROPABA – prefeito Júnior de Abreu Bento (PP) – Operação Coleta Seletiva;
  30. BALNEÁRIO PIÇARRAS – prefeito Tiago Baltt (MDB) – Operação Regalo.

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