Laklãnõ Xokleng voltam a ocupar área da barragem de José Boiteux depois da discussão com Jorginho Mello

No último dia 8 deste mês o governador Jorginho Mello (PL) foi fazer uma visita na Barragem de José Boiteux no início dos trabalhos de recuperação das comportas.

Lá, ele encontrou um grupo de indígenas de uma das tribos e acabou batendo boca com a cacique que, segundo o governador, reivindicaram mais coisas além do já acordado e querem usar o momento para “fazer média para se eleger”.

Depois desse novo embate, os Laklãnõ Xokleng voltaram a ocupar a área próxima da barragem para, de acordo com relatos dos próprios índios, impedir a entrada de máquinas e visitantes nas terras indígenas.

A intenção é pressionar o Governo do Estado para que seja entregue o que, segundo as lideranças, ainda não foi feito e que já tinha sido acordado nas negociações com a Justiça Federal.

A cacique-presidente da área dos Laklãnõ Xokleng, Fabiana dos Santos, publicou um comunicado na sua rede social dizendo que o tratamento dado pelo governador Jorginho Mello às mulheres indígenas “é inaceitável e isso nós não vamos aceitar”.

Ela fala no vídeo que a integridade das mulheres foi violada e que esse tipo de tratamento tem sido recorrente, mas a mídia não fala. “Essa barragem está há mais de 20 anos sem reforma. Então, porque que hoje o governador vem nos acusar de ter depredado essa barragem. Isso não é culpa da comunidade indígena, isso é culpa do próprio governo que só agora lembrou que tem uma barragem para reformar”, disse Fabiana.

Ela diz que os índios vão lutar para que esse tipo de situação de desrespeito não aconteça mais dentro do território indígena. Fabiana comenta que a própria visita de Jorginho Mello no dia 8 sequer teve um pedido de permissão de entrada nas terras indígenas.

“Querem vir, venham, mas peçam autorização para vim. Querem visitar? Peça autorização, porque aqui nós temos leis, nós temos a nossa identidade. Nós vamos permitir que alguém venha e faça o que quer dentro do nosso território. Aqui é nosso, é da comunidade indígena Laklãnõ Xokleng”, finalizou.

O Governo do Estado informou que não tem conhecimento dessa ocupação e que as obras seguem o cronograma normal. Como já tinha dito Jorginho Mello, o Governo de Santa Catarina diz que está construindo 20 casas a mais dos que as 20 previstas no acordo justamente para atender os pedidos da comunidade indígena.

O novo relatório divulgado em julho pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) aponta que o fenômeno El Niño está em desenvolvimento acelerado no Oceano Pacífico.

Os principais pontos indicam 81% de chance de um El Niño muito forte no final de 2026, aquecimento recorde das águas, podendo persistir até 2027.

Só no mês de junho, já foram registradas 33% mais chuvas no Vale do Itajaí do que a média histórica e os meteorologistas dizem que o segundo semestre deve ser de chuvas mais frequentes do que o normal.

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