Na quarta-feira, 22, o prefeito de Blumenau, Egídio Ferrari (PL), postou um vídeo na sua rede social e pela primeira vez afirmou taxativamente que houve desvio de dinheiro público na administração do ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL).
No vídeo, Egídio diz que “isso tudo aconteceu porque quem passou antes de mim, meteu a mão nos cofres públicos de Blumenau”.
Ele fala que “quem cometeu irregularidades ou crimes, vai pagar caro”. O prefeito gravou o vídeo na ponte da rua Santa Terezinha, no bairro Progresso, que agora está paralisada porque a empresa que tocava a obra está sendo investigada pelo Gaeco e teve suas contas bloqueadas.
Nesta semana, a Comissão de Transportes e Obras Públicas da Câmara de Vereadores discutiu a rescisão de sete contratos de obras públicas afetados pela Operação Ponto Final. O encerramento dos acordos aconteceu por conta dos impedimentos judiciais e investigações sobre fraudes em licitações.
Segundo a Prefeitura, serão necessários entre quatro e seis meses para a abertura de novas licitações e a retomada das obras. Em casos com alto percentual de execução, como a obra da Rua Divinópolis, na Velha Central, a administração avalia se é possível finalizar o trecho pela empresa atual, mas vai precisar de uma autorização judicial.
Além dos contratos de infraestrutura, a Prefeitura também rescindiu recentemente os contratos de vigilância e limpeza escolar com a empresa Orcali, que foi substituída por outro modelo de gestão.
MUITA COBRANÇA
É fato que o prefeito Egídio postou esse vídeo para dar uma resposta sobre os atrasos nas obras e que, mesmo depois de 19 meses da sua gestão, a Prefeitura de Blumenau não tem encontrado uma solução para os muitos problemas de corrupção deixado por Mário Hildebrandt.
Viu-se que no início, a intenção não era escancarar tudo o que já tinha acontecido na gestão de Mário, mas com mais três operações policiais feitas na Prefeitura de Blumenau, ficou muito difícil defender Hildebrandt e tinha chegado a hora de atacar o assunto de frente antes que ele caia no colo do próprio Egídio Ferrari.
Além dos problemas da gestão anterior, o prefeito de Blumenau não tem um bom relacionamento com os vereadores, aparentemente perdeu a maioria no legislativo, e não deve ter vida fácil daqui para frente.
Um outro erro do prefeito foi, primeiro, ter colocado Flávio Linhares (PL), que era vereador inexperiente, como líder do seu governo e depois substituí-lo por Alexandre Matias (PSDB), que era seu secretário de Educação, mas foi exonerado por problemas em contratos na sua secretaria.
Agora, na Câmara de Vereadores, a sua administração não tem ninguém com força política para defendê-la e vai ter, pelo menos até o fim de 2026, a dificuldade de aprovar projetos do executivo.
O FUTURO
Diante de tudo isso, a cidade padece com as suas necessidades e vai ver obras paradas até que outras empresas sejam contratadas. Sem contar com as inúmeras demandas na manutenção urbana, que também teve um ex-secretário que fez muito pouco e agora está tudo acumulado, quase impossível de colocar os trabalhos em dia.
Restam 29 meses para o fim da gestão de Egídio Ferrari e até lá, não se vislumbra, pelo menos nesse momento, um cenário diferente do que aconteceu desde janeiro de 2025.
Mas há a torcida para que a cidade comece a andar e que o pagador de impostos tenha serviços públicos condizentes com o que é cobrado. Em 2026 há uma eleição geral e vamos ver se o eleitor da cidade vai continuar elegendo pela polarização ou se realmente vai escolher os melhores.





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