Os chefões dos partidos políticos de todo o país descobriram que podem eleger os seus parceiros que têm dificuldade em angariar votos com uma estratégia baseada na fama de subcelebridades.
Gracyanne Barbosa, Rachel Sheherazade, Silvia Abravanel, Edmundo, Manoel Gomes do hit “Caneta Azul”, Inês Brasil, o ex-jogador Luís Fabiano e o apresentador Geraldo Luís são algumas das personalidades que podem ajudar um monte de candidatos desconhecidos a assumirem cargos nas Assembleias Legislativas e na Câmara Federal.
Antes de você achar isso um motivo de riso, eles podem decidir muita coisa na sua vida, como aumentar impostos, se a saúde e a educação vão ou não melhorar, se terá mais investimento na segurança pública e tudo mais que um parlamentar pode fazer durante quatro anos de mandato.
Por que eles podem ser a mola propulsora para esse monte de gente sem voto? Porque deputado estadual e federal não se elege sozinho porque o voto é proporcional. O sistema conta primeiro quantos votos cada partido teve, depois ele define quantas cadeiras aquele partido ganhou e só depois vê quem foram os mais votados na lista de candidatos.
Um bom exemplo disso aconteceu na eleição de 2002 em São Paulo, quando o candidato Enéas Carneiro se elegeu deputado federal com mais de 1,5 milhão de votos. Ele levou com ele para Brasília mais 5 candidatos do Prona, sendo que o quinto recebeu apenas 275 votos.
Já na eleição de 2014 no Rio de Janeiro, os votos dos candidatos Psolistas Chico Alencar e Jean Wyllys acabaram levando também para a Câmara Federal o Cabo Daciolo, que 4 meses depois acabou sendo expulso do partido, mas ficou com o mandato.
Apesar de ainda não acabarem com os “puxadores de voto”, hoje já há uma trava nessa farra, pois o candidato que vai a reboque dos mais votados tem que ter, pelo menos, 10% de todos os votos recebidos pelo seu partido na eleição, o chamado quociente eleitoral.
O que fica claro é que os partidos estão buscando gente não pela capacidade de legislar, mas sim pelo número de votos que ele pode receber na eleição.
A matemática é simples na cabeça dos membros das executivas: quanto mais votos, mais cadeiras no parlamento, mais fundo partidário a receber e mais emendas parlamentares para distribuir, se transformando na oportunidade perfeita para quem tem o comando disso tudo.
Então, a pergunta que o eleitor tem que fazer não é se o Caneta Azul ou Gracyanne Barbosa vão saber legislar, mas sim quem eles vão levar junto com eles.
Você lembra em quem votou para deputado estadual e federal na última eleição? Se sim, sabe se realmente ele cumpriu com o que prometeu ou para quem ele distribuiu as suas emendas parlamentares?
Pois bem, tá na hora de analisar muito bem em quem vão votar, pois o chamado voto de protesto ou votar no menos pior pode custar muito caro e só resolver a vida de quem se elegeu nessa farra da eleição.





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