Na política, se defender atirando sempre é a melhor estratégia, porque do outro lado sempre vai ter alguém que deve tanto quanto você e isso pode gerar a reação da passividade, onde ambos se aturam só para não verem seus feitos confirmando o que todo mundo desconfia.
A cada dia que passa, os parlamentos perdem mais e mais a credibilidade, muito pela falta de justiça. E vale salientar que justiça não é o que o Judiciário julga, mas sim aquilo que a vida cobra ao longo dos anos.
Até porque, esse mesmo Judiciário está baseado em leis que nasceram da intenção de não punir, mas sim de proteger quem mais está na mira do julgamento jurídico.
Quando você passa muito tempo tentando convencer os outros de que é honesto, para a psicologia isso nada mais é do que uma confissão de culpa que atormenta muito mais a sua mente do que a de outras pessoas.
E não falar abertamente dos seus erros, esperando que alguma instituição o absolva para depois dizer que tinha razão, não significa que tudo isso seja a real verdade dos fatos, mas sim uma espécie de fuga da penalidade que virá mais cedo ou mais tarde.
Especialistas dizem que colocar dinheiro na mão de político é sacramentar a certeza de que esse dinheiro não vai chegar por inteiro onde deveria ter ido. Se já existe essa crença, por que então o Estado cria mecanismos para justamente legalizar o que não deveria ser legalizado?
Porque os poderes, em sua maioria, foram tomados por gente que nasceu com desvio de conduta e que acredita que, se eu não fizer, o outro vai fazer e, portanto, que “a mãe do outro chore primeiro que minha”.
É a lei de Gerson (e que me desculpe o craque Gerson), onde o importante é levar vantagem porque eles sempre terão quem os proteja, pessoas que tem as mãos tão sujas quanto as do protegido.
O mundo tá mostrando que corrupção não depende exclusivamente do regime de governo, mas sim da índole de quem é eleito para gerir aquilo que não sabe, mas pensa que é seu e que pode pegar a hora que bem entender.
Passar muito tempo num ambiente político faz dos bons os menos piores e dos ruins os mais espertos. É um sistema que se retroalimenta e não permite que ninguém com boa intenção crie algo que possa mudar o imutável.
Como disse Wagner Moura no Tropa de Elite, “o sistema é foda” e ele expeli quem não defende os parceiros e abraça quem mostra coragem pra defender o indefensável.
Quando um político tem seguidores, é porque ele já virou um alienador de mente que controla o discurso da bolha que o defende em qualquer circunstância, mesmo que ele não melhore em nada a sua vida.
Li esses dias uma frase que dizia que “quando o óbvio precisa ser explicado e ainda é necessário provar que esse comportamento é moralmente inaceitável, não estamos apenas diante da falência da política. Estamos diante da falência moral da própria sociedade”.
Enfim, a constatação é fria e desesperadora, mas o pior é que não há mais a luz no fim do túnel porque até a lâmpada de lá está sendo controlada por quem deveria ser atropelado pelo trem.





Muito bom teu texto, parabens!