A alta dos preços e o número elevado de desempregados na Alemanha fizeram com que o partido de extrema-direita do país, o Alternativa para a Alemanha (AfD), vencesse de forma contundente a eleição no Estado da Saxônia-Anhalt.
O AfD obteve neste domingo, 6, uma votação recorde na eleição daquele Estado, que fica no leste da Alemanha. Pesquisa boca de urna divulgada pelas emissoras públicas alemãs DW e ARD coloca a legenda com 44% dos votos, muito acima do União Democrata Cristão (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz, que ficou em 2º lugar com 17,8% dos votos na boca de urna.
Em 2022 a AfD tinha conseguido 20,8% dos votos e nessa eleição mais que dobrou a sua votação num Estado que hoje é governado por Sven Schulze (CDU), que buscava a reeleição.
Para muitos, essa vitória pode não significar muito, mas a extrema-direita venceu na Alemanha, um país que há anos vinha tentando isolar essa vertente política muito por conta das lembranças do nazismo.
UM DETALHE IMPORTANTE
Um outro ponto a ser destacado também é que na Alemanha o voto não é obrigatório, mas a participação dos moradores da Saxônia-Anhalt nessa eleição atingiu o nível recorde de 76,5%.
A AfD é classificada pela inteligência alemã como um grupo extremista “suspeito”, em parte porque o partido retrata alemães de origem imigrante como cidadãos de segunda classe.
Ulrich Siegmund, o nome da AfD que venceu a eleição e vai governar a Saxônia-Anhalt, despontou como o destaque nessa disputa. Segundo ele, os eleitores do Estado de pouco mais de 2 milhões de habitantes enviaram um recado claro contra a atual condução política do país. Em entrevista à emissora ARD, Siegmund declarou que a legenda “fez história”.
E A EUROPA?
A repercussão dessa vitória chegou rápido em Londres e em Paris. Com eleições marcadas em toda a Europa para o próximo ano, o sucesso impressionante do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) pode ser um prenúncio de novas vitórias da extrema direita, segundo analistas.
Eles dizem que, além de servir como um modelo de como essas vitórias podem ser construídas, a mensagem de anti-imigração, por exemplo, ecoa por muitos países da Europa onde os eleitores alimentam muitas das mesmas insatisfações que os alemães.
A extrema-direita também avança na França, Espanha e Itália, onde também vão acontecer eleições, e isso ameaça os governantes atuais, que são responsabilizados pelos problemas sistêmicos de suas economias.
Mujtaba Rahman, o analista especializado em Europa do Eurasia Group, disse que “a Europa desenvolvida está passando por uma versão de falência sofisticada do Estado e que os governos são incapazes de lidar com as preocupações relacionadas ao custo de vida. Eles não conseguem entregar resultados aos seus eleitores”.
Ele fala também que “uma Alemanha fraca, com um chanceler que está perdendo sustentação e sendo forçado a lidar com problemas internos, é algo ruim e, em última análise, reduzirá a capacidade da Europa de enfrentar seus desafios”.
A AMÉRICA É DA DIREITA
Na América do Sul o cenário não é muito diferente. Nos últimos anos, a região registrou uma significativa guinada à direita e à extrema direita, com vitórias eleitorais que mudaram a balança política do continente. Atualmente, a direita e o centro-direita controlam sete dos doze países do continente.
Tudo começou em 2023 com Daniel Noboa, no Equador, que garantiu uma continuidade de uma agenda empresarial conservadora no país.
Logo em seguida foi a ver da Argentina, que desistiu da esquerda e elegeu Javier Milei, que assumiu a presidência com uma plataforma libertária de extrema direita, inaugurando essa onda de mudanças no Cone Sul.
Em 2025, foi a vez da Bolívia eleger o senador Rodrigo Paz, que venceu a disputa presidencial e encerrando um longo ciclo de governos ligados ao MAS (Movimento ao Socialismo).
Em 2025 o Chile também tirou da presidência o esquerdista Gabriel Boric e elegeu o representante da ultradireita José Antonio Kast.
Em 2026, o Peru elegeu Keiko Fujimori em um pleito acirrado, consolidando mais um governo de direita na região. Também em 2026, a Colômbia elegeu Abelardo de la Espriella, que sucedeu o governo de esquerda de Gustavo Petro e marcando o retorno da direita ao poder no país.
AS INFLUÊNCIAS
Não podemos esquecer de países como El Salvador (América Central), que elegeu e reelegeu Nayib Bukele, que hoje é modelo para muitos candidatos na América do Sul, e dos Estados Unidos, com Donald Trump, que exerce grande influência em toda a América, principalmente depois de ter destituído Nicolás Maduro da presidência da Venezuela, são países que hoje pautam a eleição no Brasil.
Por aqui, a esquerda enfrenta os mesmos problemas que governantes de esquerda na Europa enfrentam e isso pode ajudar a direita e extrema-direita brasileira a se consolidarem na eleição de 2026.
É muito provável que haja um segundo turno na eleição presidencial e isso pode fazer com que os presidentes direitistas da América do Sul também atuem indiretamente para que Lula saia do poder no Brasil.
A eleição brasileira não diz respeito apenas aos brasileiros, mas a todos que tem interesse que a esquerda seja enfraquecida e o Brasil pode ser a cereja do bolo para a consolidação da direita na América do Sul.





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