Ministro do Supremo Tribunal Federal, senadores, deputados, membros do Governo, situação e oposição. Todos estavam na lista financeira do Banco Master e na lista de contatos do banqueiro Daniel Vorcaro.
O problema é que banco não tem dinheiro próprio, banco tem o teu dinheiro e por isso que essa história do Banco Master só tem dois lados: o lado de quem recebeu e o lado de quem pagou e quem pagou essa conta foi você.
Imagina uma servidora pública municipal, com quase 30 anos de serviço, que ganha um salário base numa Prefeitura do interior do Brasil que no ano passado leu nos jornais que um tal de Banco Master quebrou.
Ele nunca ouviu falar nesse banco, nunca teve uma conta lá e fecha o jornal e volta ao trabalho. Três meses depois ela descobre que o Fundo de Previdência dela, aquele dinheiro que ia servir para a sua aposentadoria, tinha sido emprestado para o Banco Master sem nenhum seguro.
Pois bem, o Banco Master era uma máquina de pagar gente e o combustível dele era o dinheiro de muitos brasileiros que sequer fizeram qualquer tipo de transação por lá.
Pra resumir, o Master era um banco médio que cresceu pagando mais que a concorrência. CDB é o papel que o banco te vende para pegar o teu dinheiro emprestado. Um banco médio saudável paga nesse CDB entre 110% e 120% do CDI, que é um juro de referência do mercado.
O Master pagava frequentemente entre 120% e 140% do CDI, com emissões pontuais e campanhas que alcançavam patamares ainda mais elevados, como 185% do CDI, dependendo do prazo e da carência do título.
Como um banco paga a mais que todo mundo e não quebra? Ele não paga, ele quebra e a diferença é quem paga quando ele quebra. Daniel Vorcaro disse na Polícia Federal que o seu banco tinha problema de liquidez e usava o Fundo Garantidor de Crédit (FGC) como modelo de negócio.
Traduzindo, o FGC é um dinheiro separado por todos os bancos do Brasil num fundo para garantir que uma pessoa receba de volta o que investiu até R$ 250 mil se um banco quebrar.
No dia 18 de novembro de 2025 o Banco Central liquidou o Bancos Master, mas a cereja desse bolo é que dois dias antes Daniel Vorcaro ligou para um contato de nome Alexandre perguntando “acha que segunda já tenho que estar fora do país?”.
A partir daí começam a surgir tudo aquilo que todo mundo já sabe que estava escrito num relatório da Polícia Federal. Só para o tal de Alexandre, o banqueiro mandou 52 mensagens e se encontrou com ele ao menos seis vezes.
Descobriu-se até que um senador da República teria recebido R$ 300 mil por mês e coincidentemente esse mesmo senador tinha apresentado uma Emenda Constitucional para aumentar o valor do FGC dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A polícia diz que o texto dessa emenda tinha sido escrito dentro da sede do Banco Master. A única coisa boa nisso tudo é que a emenda foi rejeitada no Congresso.
Mas se ela passa, o rombo do Master, estimado entre R$ 47 bilhões a R$ 52 bilhões, teria alcançado uma soma que poderia chegar a três vezes essa estimativa.
Mas porque só você paga essa conta? Pois bem, o tal do FGC é cobrado de todo mundo que usa o sistema financeiro nacional, todo mundo que tem conta e paga tarifa, dos juros do seu cartão de crédito e das taxas do teu empréstimo.
Só até janeiro deste ano, o Banco Central já tinha pagado 80% das 800 mil pessoas lesadas pelo Banco Master que tinham a receber até R$ 250 mil.
E vocês lembrar daquela servidora pública que trabalhava numa Prefeitura do interior do Brasil que falei lá em cima? Pois bem, os Fundos de Pensão que compraram letras financeiras do Master não são cobertos pelo FGC. Nesse balaio estão 19 Fundos de Pensões de pequenas cidades e Estados que aplicaram no Bancos mais de R$ 1,8 bilhões.
O Estado viu por anos um banco pagando rendimentos muito acima do que era praticado usualmente e não perguntou qual era o motivo ou se ele tinha como garantir o que era oferecido.
Por fim, só me resta dizer que esse é o sistema que te governa, que me governa, que nos manipula, que nos obriga a pagar por tudo que você não recebe e a pagar por muita coisa que a gente nem sabia que existia.
Então, continuamos aqui a espera da tão sonhada “Ordem e Progresso”.





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